Autor: Lucio Luiz

  • DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: O TEMPO MULTIDIMENSIONAL NOS QUADRINHOS


    A pesquisadora  e quadrinista Catia Ana Baldoíno da Silva apresentou no mês de março sua dissertação intitulada “O tempo multidimensional nos quadrinhos: um estudo das estratégias narrativas em Here, de Richard McGuire”, na área de Linguística Letras e Artes, pela  Universidade de Goiás. 

    Leia o resumo:

    Esta pesquisa tem como objetivo analisar como se configura a representação do tempo na história
    em quadrinhos Here (1989), a partir da análise da sua estrutura e dos recursos narrativos utilizados
    pelo autor, Richard McGuire. Estruturada a partir de um ângulo de visão fixo, Here (1989)
    apresenta, de forma múltipla, multilinear e fragmentada, a evolução e acontecimentos do espaço
    retratado, num período de milhões de anos. Tal estrutura demanda uma leitura também múltipla,
    multilinear e fragmentada, a partir da qual o leitor consegue construir os sentidos da história. Sua
    análise, assim, possibilita uma melhor compreensão da linguagem dos quadrinhos, especialmente
    no que diz respeito à suas dimensões temporais. A escolha do aporte teórico, guiada pela temática e
    objeto de estudo, propicia um diálogo entre a teoria literária e os estudos das histórias em
    quadrinhos (ELIAS, 1998; NUNES, 1995; TODOROV, 2013; EAGLETON, 2006;
    GROENSTEEN, 2015; EISNER, 1999 e 2005). Espera-se, com essa intersecção, contribuir para
    um melhor entendimento acerca das possibilidades e potencialidades das narrativas gráficas.

    A dissertação pode ser lida clicando aqui!
  • CHAMADA PARA SUBMISSÃO DE TRABALHOS: 11º SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS E COMUNITÁRIAS


    O  Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias (Seminário Biblioteca Viva) está com inscrições abertas para submissão de posters e painéis até 30 de abril de 2019. Poderão se inscrever iniciativas de todo o Brasil, que apresentem trabalhos relacionados a uma das temáticas abaixo. Todas as informações e link para envio de formulário estão em:

    Condições Gerais de Participação

    E aí, conhece ou trabalha em espaços que propõe algum dos temas abaixo?Espaços dentro de universidades, espaços comunitários, formatos alternativos ou experimentações?
    Que tal se inscrever?!

    Temas gerais

    A biblioteca e a comunidade: Ações de integração entre bibliotecas e comunidades do entorno em busca da ampliação de serviços dentro e fora do equipamento. Ações de comunicação para aproximar novos públicos da biblioteca. Exemplos: formação de grupos para desenvolver atividades lúdicas na biblioteca; ações de estímulo para visitação; uso das instalações para reuniões comunitárias etc.

    >Ações para a terceira idade: Programas e projetos oferecidos para o público da terceira idade favorecendo o diálogo desse público com a leitura e biblioteca. Exemplos: saraus literários e musicais; palestras e debates com assuntos de interesse; acervos e serviços dedicados e ações de mediação desenvolvidas para ou por público da terceira idade, etc

    Ações sustentáveis e consumo consciente: Experiências que promovam a consciência ambiental, o consumo consciente e a economia de recursos naturais. Exemplos: ações de educação ambiental; oficinas de reciclagem de materiais e reaproveitamento de alimentos; exemplos de reutilização criativa de materiais; ações de conservação do acervo; medidas para racionalização de recursos na biblioteca, consumo consciente de recursos como água, energia elétrica etc.

    Acessibilidade, vulnerabilidade e inclusão: Ações que promovam a leitura de forma inclusiva para todos os públicos, com ênfase no atendimento às pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade social. Exemplos: programação com recursos de acessibilidade em bibliotecas; acervos acessíveis; serviços de extensão para público com deficiência e situação de vulnerabilidade social; mediação de leitura inclusiva; projetos de adequação arquitetônica e comunicacional; parcerias com instituições especializadas, etc.

    >Biblioteca como espaço além da leitura: Serviços e programas que promovam a atuação da biblioteca para além de uma concepção tradicional vinculada apenas aos livros. Exemplos: promoção de atividades culturais, artísticas e esportivas diversas; promoção da cidadania; palestras, cursos e gincanas; uso do espaço da biblioteca para promoção de encontros e eventos da comunidade e instituições parceiras; empréstimo de objetos e ferramentas; etc.

    >Biblioteca, memória e território: Ações, produtos e serviços que valorizam a memória e o território como instrumentos mobilizadores de conhecimento das comunidades e dos públicos dos espaços culturais, com criação e fortalecimento de vínculos que promovam a atuação da biblioteca. Exemplos: promoção de atividades culturais internas e externas, produtos e serviços da biblioteca para frequentadores, funcionários e comunidades, etc.

    >Bibliotecas no mundo digital: Experiências que utilizem as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) em favor da democratização do acesso à informação. Exemplos: qualificação do acesso à internet; programas de alfabetização digital; cursos e oficinas na modalidade Ensino a Distância (EaD); games; redes sociais; booktubers; acervos digitais, etc

    >Interação entre biblioteca e escola: Práticas desenvolvidas visando o estreitamento das relações entre bibliotecas públicas, espaços de leitura, grupos organizados e escolas, tendo como objetivo a formação de leitores. Exemplos: programas de extensão da biblioteca desenvolvidos em escolas públicas; parcerias para qualificação de acervos e serviços de bibliotecas escolares; competições e eventos estudantis; capacitação de professores, etc.

    >Jovens leitores e a biblioteca: Programas e projetos oferecidos com e para adolescentes e jovens adultos, favorecendo o diálogo desse público com a leitura e biblioteca. Ações, estratégias e programas de leitura para retenção de leitores jovens adultos. Exemplos: saraus literários e musicais; coletivos literários; palestras e debates com assuntos de interesse; acervos e serviços dedicados; apoio à inserção no mercado de trabalho; formas de colaboração dos jovens na biblioteca; ações de mediação desenvolvidas para ou por adolescentes e jovens, etc.

    >Mediação cultural: Ações que promovam a aproximação entre o público das bibliotecas e os bens culturais. Exemplos: exposições; teatro; exibição de filmes; música; palestras e debates; projetos articulados com outras instituições culturais; promoção do patrimônio histórico; ações em prol da preservação da memória local, etc.

    >Mediação de leitura: Experiências que favoreçam a interação entre leitores, livros e práticas de leitura. Exemplos: hora do conto; rodas de leitura; saraus; oficinas de criação literária; formação de contadores de história; clubes de leitura, etc.

    >Sustentabilidade, parcerias e captação de recursos: Como as bibliotecas, espaços de leitura e grupos organizados têm promovido suas ações para destacar seu papel na comunidade e se articulado com a administração pública e a outras instituições da sociedade civil em busca da qualificação de seus serviços. Exemplos: campanhas de mobilização pela leitura e biblioteca; formação de associações e sociedades de amigos da biblioteca; parcerias operacionais; voluntariado; projetos de marketing; projetos desenvolvidos com recursos de editais e outros mecanismos de captação, etc.

    > Serviços e programas de extensão da biblioteca: Ações extramuros que atuem na promoção das atividades da instituição para além de seu espaço físico. Exemplos: disponibilização de acervo em diferentes espaços da cidade; book crossing e troca-livros; feiras literárias; biblioteca volante, ônibus ou biblioteca; atividades de mediação de leitura fora do espaço da biblioteca; itinerância de exposições; empréstimo em domicílio, etc.

    Soluções para ambientes em bibliotecas: Projetos que colaborem para a dinamização do espaço físico da biblioteca. Exemplos: projetos de reforma e criação de novas bibliotecas; readequação de mobiliários e decoração; projetos de comunicação visual; propostas para melhoria do conforto do usuário; novos métodos para disponibilização dos acervos, etc.

    Voluntariado: ações para promover a participação de voluntários em atividades internas e externas da biblioteca. Exemplos: professores que oferecem cursos gratuitos; profissionais que prestam serviços à biblioteca ou fazem oficinas para ensinar ofícios aos usuários; contadores de histórias ou grupos teatrais; músicos, poetas e mediadores de leitura etc.

  • Mulheres produtoras de quadrinhos no Brasil: onde estão?

    Deus por Germana Viana

    Que a proporção de representatividade de gênero no meio dos quadrinhos é um debate urgente, dada sua desigualdade histórica, sabemos, bem como em diversas outras frentes.São ondas e movimentos que visam sanar o silêncio das vozes femininas ao longo da História. Cientistas, figuras políticas, esportistas, mulheres envolvidas em diferentes esferas tidas como masculinas, e ignoradas ou furtadas em suas descobertas e contribuições. Claro que elas existem e estão por aí há um tempão, como bem mostra a cartunista Jacky Fleming em “Qual é o problema das mulheres?” lançado pela L&PM em 2018.
    E nos quadrinhos? Desde a falta de protagonistas, ou mesmo de proporção entre personagens homens e mulheres, além das formas de representação do corpo feminino, nos perguntamos: onde estão as mulheres que produzem quadrinhos? Podemos afirmar que com a criação da web e das redes sociais, é notável a ampliação do acesso e conexão entre as mulheres que produzem e o público leitor. São roteiristas, editoras, coloristas, arte-finalistas, desenhistas, várias por vezes invisibilizadas na cadeia de produção dos quadrinhos. Além das publicações independentes, antologias e zines, os coletivos atualmente contribuem para criar visibilidade e garantir o lugar de fala de mulheres cis e trans, que começam a ganhar espaço nas editoras de quadrinhos.

    Compartilhamos alguns grupos nos quais podemos ter mais informações sobre as produções das mulheres no Brasil, bem como páginas mantidas por mulheres para discussões sobre a cultura pop em geral.

    Caso conheça ou faça parte de mais alguma, envie para nós e vamos ampliando esta lista!

    Banco de dados da Lady’s Comics: http://ladyscomics.com.br/bamq 

    Mina de HQ: https://www.facebook.com/minadehq/

    Minas nerd: http://minasnerds.com.br/

    Banca de quadrinistas: http://www.itaucultural.org.br/banca-de-quadrinistas-2017-conheca-as-mulheres-que-expuseram-seus-trabalhos

    Delirium nerd: https://www.facebook.com/delirium.nerd/

    Nó de oito: https://www.facebook.com/NodeOito/

    Preta, Nerd & Burning Hell: https://www.facebook.com/pretaenerd/

    Nebulla: https://www.facebook.com/nebulla.co/

    Zine xxx: https://www.facebook.com/zinexisxisxis/

    Políticas: https://www.facebook.com/politicashq/

    Corpas em risco: https://www.facebook.com/corpasemrisco/

    Mandíbula : https://www.facebook.com/mandibulaquadrinhos/

    Zinas: https://zinaszineiras.wixsite.com/zinas/sobre?fbclid=IwAR1B4yWVgIRek1dNYwNmlyd6E2LufTsEZTNVdea2zEPsSNLNVAr-fyPuJjw

    (Agradecimentos à algumas das indicações a Germana Viana e Dani Marino)

  • Publicações independentes: feiras, feiras e mais feiras.

    Que quadrinistas, fãs, artistas e escritores em geral já se utilizam do bom e velho faça você mesmo, é sabido. Que adoramos nos encontrar, trocar e vender material autoral, independente, autopublicado, também. Agora com o apoio das redes sociais, a iniciativa “Calendário de feiras independentes e artes impressas” mobiliza a construção coletiva do calendário de eventos e feiras em todo o país. 
    O grupo público do Facebook conta atualmente com mais de 2 mil participantes, onde diariamente postam e compartilham diferentes iniciativas relacionadas à publicações independentes e afins.

    Clicando neste  link vocês podem acessar o calendário que vai sendo atualizado e alimentado colaborativamente, com eventos por todo o país. Assim, se você tem zines, quadrinhos, livros e outros trabalhos e queira participar e saber quais feiras e encontros estão acontecendo, convidamos a conhecer o grupo. E sabendo de alguma feira não listada ainda, colabore!

    Zineiros do mundo, uni-vos.

    Para saber mais: Calendário de feiras independentes e artes impressas

  • O 46º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDE DESSINÉE DE ANGOULEME: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES



    O Festival Internacional de Bande Dessinée de Angoulême, na França, é um
    espaço que tem como característica mais marcante a pluralidade. Pelas ruas do
    centro de Angoulême, encontramos de autores já consagrados, andando
    despreocupadamente, a jovens fanzineiros expondo seus trabalhos em uma das
    muitas esquinas da cidade; de exposições magníficas, utilizando os mais
    modernos recursos tecnológicos, a apresentações mais simples, relembrando os
    tempos do movimento underground. Em Angoulême, durante o FIBD, há opções para
    todos os gostos. Pluralidade é, de fato, a palavra certa para definir esse
    evento, que se fortalece a cada ano.

    Carolina – edição francesa.
    Em 2019, tivemos muitas razões para comemorar o festival. Nessa edição,
    o Brasil foi premiado por meio da hq Carolina,
    de Sirlene Barbosa e João Pinheiro, publicada no Brasil, em 2017, pela editora
    Veneta. O trabalho, também publicado em francês, recebeu o Prêmio do Júri
    Ecumênico, após passar por uma rigorosa avaliação. Carolina de Jesus, a poetisa
    da favela, é uma autora brasileira muito apreciada na França. 

    PEIBÊ – fanzine indicado
    para prêmio.

    Tivemos ainda a participação do Henrique Magalhães, da editora Marca de
    Fantasia, com a produção Maria Magazine,
    e do fanzine PEIBÊ,  sob a
    direção de Alberto de Souza, o Beralto. Ambos os títulos foram selecionados
    para os prêmios de publicações alternativas. Autores brasileiros como André
    Diniz e Marcello Quintanilha também estiveram presentes, autografando nos
    estandes de suas respectivas editoras.


    Foram inauguradas 12 grandes exposições, que devem se estender por mais
    alguns meses após o fim do festival, homenageando personagens e autores. A mais
    aguardada de todas foi Batman 80 anos,
    aberta oficialmente no dia 23 de janeiro, com a presença do quadrinista Frank
    Miller, homenageado durante a cerimônia de abertura com um prêmio especial
    oferecido pela organização. Autores como Milo Manara, Tsutomu Nihei, Taiyo
    Matsumoto, Bernadette Després, Jérémie Moreau e Richard Corben foram igualmente
    homenageados com belíssimas exposições.



    Frank Miller
    Foto de divulgação do FIBD.
    Vale falar rapidamente sobre algumas delas, começando com o homenageado
    do ano, Batman. A exposição, que comemora os 80 anos de um dos personagens mais
    conhecidos do mundo, trouxe suas origens, seus primeiros quadrinhos, suas
    aparições no cinema e em animações, seus principais  inimigos e uma
    série de originais de diversos artistas que deram forma ao herói mais temido da
    DC Comics. Pode-se dizer que a exposição fez uma síntese desses 80 anos de
    forma muito eficiente, não tendo faltado nem mesmo a participação do Batman da
    Lego. O Hôtel de Ville, que corresponde às nossas prefeituras, recebeu uma
    iluminação especial em homenagem ao Cavaleiro das Trevas, reproduzindo a
    fictícia cidade de Gotham City.

    Rumiko Takahashi, segunda
    mulher a vencer o Grand Prix.
    Belíssima e voltada especialmente para o público infantil, a exposição Tom-Tom et Nana présentent: tout Bernadette
    Després!
    festejava a obra de Bernadette Després. Na década de 1970, Tom-Tom et Nana tornou-se um grande
    sucesso, tendo saído dos quadrinhos e ganhado a TV numa série animada até hoje
    muito apreciada. A autora ainda foi homenageada com um prêmio especial em uma
    bela cerimônia no Teatro de Angoulême. Depois de Rumiko Takahashi, que recebeu
    o Grand Prix, Bernadette Després foi a artista mais celebrada em Angoulême.

    Manara, comentando sua
    exposição.
    E para quem esperava que a exposição sobre Milo Manara fosse se limitar
    a quadrinhos eróticos, esta talvez tenha sido a melhor surpresa: destacou-se a
    obra do artista italiano em seu todo, apresentando um Manara que boa parte de
    seus leitores desconhecem. Nela aparecem outras facetas do autor, seus
    quadrinhos políticos e de humor. Apenas cerca de 10% do material exposto era
    erótico e concentrou-se num pequeno cubículo, que não teria sido notado caso
    não tivesse uma iluminação diferente.

    Exposição de Tsutomu Nihei,
    no Espaço Franquim.

    Os mangakás Tsutomu Nihei e Taiyo Matsumoto tiveram suas obras expostas
    em destaque no Espaço Franquim e no Museu de Angoulême. Com seu estilo
    futurista pós-apocalíptico e pós-humano, Nihei abusa da imaginação ao criar
    personagens que são metade  máquina, grandes robôs e mundos
    distópicos. Os quadrinhos de Matsumoto, por sua vez, trazem crianças que vivem
    em famílias pouco convencionais ou mesmo que não possuem família, assim como o
    autor, abandonado ainda bebê pelos pais. Estilos diferentes de dois grandes
    nomes do mangá, gênero artístico que, durante o FIBD,
    tinha seu próprio espaço, o Mangá City, um enorme complexo montado ao lado do
    Museu dos Quadrinhos. Se já é difícil conseguir conferir todas as grandes
    exposições, o que dizer das pequenas? 

    Participar do FIBD de Angoulême provoca, no mínimo, um choque cultural.
    São tantos estímulos, tantas informações que chega a ser um processo lento de
    absorção. Pessoas de todas as partes da França, da Europa e de outros
    continentes se dirigem a uma pequena cidade que, durante quatro dias, recebe
    toda a atenção da grande mídia francesa.  Para quem acha que
    quadrinhos são coisa de criança, esclareço que, com exceção das visitações
    escolares, a maioria do público do FIBD é adulta.
    Um dos muitos espaços reservados aos visitantes do Festival, com venda de obras raras, autógrafos com autores e lançamentos.
    E é um exercício mentalmente desgastante imaginar como uma cidade
    conseguiu se apropriar de tal forma dos quadrinhos a ponto de transformá-los em
    parte de sua identidade cultural. Se, no passado mais remoto, Angoulême foi uma
    cidade medieval e o berço de uma das dinastias que governou a França no período
    moderno, ela hoje é a cidade dos quadrinhos e tem muito orgulho disso.
  • O 46º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDE DESSINÉE DE ANGOULEME: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES


    O Festival Internacional de Bande Dessinée de Angoulême, na França, é um espaço que tem como característica mais marcante a pluralidade. Pelas ruas do centro de Angoulême, encontramos de autores já consagrados, andando despreocupadamente, a jovens fanzineiros expondo seus trabalhos em uma das muitas esquinas da cidade; de exposições magníficas, utilizando os mais modernos recursos tecnológicos, a apresentações mais simples, relembrando os tempos do movimento underground. Em Angoulême, durante o FIBD, há opções para todos os gostos. Pluralidade é, de fato, a palavra certa para definir esse evento, que se fortalece a cada ano.

    Carolina – edição francesa.
    Em 2019, tivemos muitas razões para comemorar o festival. Nessa edição, o Brasil foi premiado por meio da hq Carolina, de Sirlene Barbosa e João Pinheiro, publicada no Brasil, em 2017, pela editora Veneta. O trabalho, também publicado em francês, recebeu o Prêmio do Júri Ecumênico, após passar por uma rigorosa avaliação. Carolina de Jesus, a poetisa da favela, é uma autora brasileira muito apreciada na França. 

    PEIBÊ – fanzine indicado
    para prêmio.

    Tivemos ainda a participação do Henrique Magalhães, da editora Marca de Fantasia, com a produção Maria Magazine, e do fanzine PEIBÊ,  sob a direção de Alberto de Souza, o Beralto. Ambos os títulos foram selecionados para os prêmios de publicações alternativas. Autores brasileiros como André Diniz e Marcello Quintanilha também estiveram presentes, autografando nos estandes de suas respectivas editoras.


    Foram inauguradas 12 grandes exposições, que devem se estender por mais alguns meses após o fim do festival, homenageando personagens e autores. A mais aguardada de todas foi Batman 80 anos, aberta oficialmente no dia 23 de janeiro, com a presença do quadrinista Frank Miller, homenageado durante a cerimônia de abertura com um prêmio especial oferecido pela organização. Autores como Milo Manara, Tsutomu Nihei, Taiyo Matsumoto, Bernadette Després, Jérémie Moreau e Richard Corben foram igualmente homenageados com belíssimas exposições.


    Frank Miller
    Foto de divulgação do FIBD.
    Vale falar rapidamente sobre algumas delas, começando com o homenageado do ano, Batman. A exposição, que comemora os 80 anos de um dos personagens mais conhecidos do mundo, trouxe suas origens, seus primeiros quadrinhos, suas aparições no cinema e em animações, seus principais  inimigos e uma série de originais de diversos artistas que deram forma ao herói mais temido da DC Comics. Pode-se dizer que a exposição fez uma síntese desses 80 anos de forma muito eficiente, não tendo faltado nem mesmo a participação do Batman da Lego. O Hôtel de Ville, que corresponde às nossas prefeituras, recebeu uma iluminação especial em homenagem ao Cavaleiro das Trevas, reproduzindo a fictícia cidade de Gotham City.

    Rumiko Takahashi, segunda
    mulher a vencer o Grand Prix.
    Belíssima e voltada especialmente para o público infantil, a exposição Tom-Tom et Nana présentent: tout Bernadette Després! festejava a obra de Bernadette Després. Na década de 1970, Tom-Tom et Nana tornou-se um grande sucesso, tendo saído dos quadrinhos e ganhado a TV numa série animada até hoje muito apreciada. A autora ainda foi homenageada com um prêmio especial em uma bela cerimônia no Teatro de Angoulême. Depois de Rumiko Takahashi, que recebeu o Grand Prix, Bernadette Després foi a artista mais celebrada em Angoulême.

    Manara, comentando sua
    exposição.
    E para quem esperava que a exposição sobre Milo Manara fosse se limitar a quadrinhos eróticos, esta talvez tenha sido a melhor surpresa: destacou-se a obra do artista italiano em seu todo, apresentando um Manara que boa parte de seus leitores desconhecem. Nela aparecem outras facetas do autor, seus quadrinhos políticos e de humor. Apenas cerca de 10% do material exposto era erótico e concentrou-se num pequeno cubículo, que não teria sido notado caso não tivesse uma iluminação diferente.

    Exposição de Tsutomu Nihei,
    no Espaço Franquim.

    Os mangakás Tsutomu Nihei e Taiyo Matsumoto tiveram suas obras expostas em destaque no Espaço Franquim e no Museu de Angoulême. Com seu estilo futurista pós-apocalíptico e pós-humano, Nihei abusa da imaginação ao criar personagens que são metade  máquina, grandes robôs e mundos distópicos. Os quadrinhos de Matsumoto, por sua vez, trazem crianças que vivem em famílias pouco convencionais ou mesmo que não possuem família, assim como o autor, abandonado ainda bebê pelos pais. Estilos diferentes de dois grandes nomes do mangá, gênero artístico que, durante o FIBD, tinha seu próprio espaço, o Mangá City, um enorme complexo montado ao lado do Museu dos Quadrinhos. Se já é difícil conseguir conferir todas as grandes exposições, o que dizer das pequenas? 

    Participar do FIBD de Angoulême provoca, no mínimo, um choque cultural. São tantos estímulos, tantas informações que chega a ser um processo lento de absorção. Pessoas de todas as partes da França, da Europa e de outros continentes se dirigem a uma pequena cidade que, durante quatro dias, recebe toda a atenção da grande mídia francesa.  Para quem acha que quadrinhos são coisa de criança, esclareço que, com exceção das visitações escolares, a maioria do público do FIBD é adulta.
    Um dos muitos espaços reservados aos visitantes do Festival, com venda de obras raras, autógrafos com autores e lançamentos.
    E é um exercício mentalmente desgastante imaginar como uma cidade conseguiu se apropriar de tal forma dos quadrinhos a ponto de transformá-los em parte de sua identidade cultural. Se, no passado mais remoto, Angoulême foi uma cidade medieval e o berço de uma das dinastias que governou a França no período moderno, ela hoje é a cidade dos quadrinhos e tem muito orgulho disso.
  • EXPOSIÇÃO THE INK LINK, QUANDO OS QUADRINHOS SE ENVOLVEM


    Durante o 46º Festival Internacional de la Bande Dessinée de Angoulême, França, The Ink Linkestará com a exposição inédita, “Quando os quadrinhos se envolvem, 2019: Casa dos Povos e da Paz”, dos dias 24 a 27 de janeiro de 2019. A entrada  é livre.

    Endereço:
    Maison des Peuples et de la Paix  – 50 rue Hergé 16000 Angoulême
    Destaques a programação:
    • Sexta-feira, 25 de janeiro às 11h: visita guiada por Aurélie Neyret e Laure Garancher da exposição Hila, nascida no Afeganistão. 
    • Sexta-feira, 25 de janeiro às 18h: abertura da exposição.
    • Sexta-feira, 25 de janeiro às 19h: mesa redonda mostra o invisível em quadrinhos por JC Deveney, debates entre Aurélie Neyret, Wilfrid Lupano, Laure Garancher e a equipe do Médicos Sem Fronteiras.
    • Sábado, 26 de janeiro, às 9:30 da manhã: Café da manhã e horário de intercâmbio, Caminhos e esperanças dos migrantes, na presença de Olivier Coldefy, membro do The Ink Link e Psicólogo Especialista intervindo perto do PJJ, um membro da equipe Médicos Sem Fronteiras, membros e jovens da associação AADMIE-RESF 16 e membros da associação Baobab. 

    Atualizações na programação podem ser encontradas na página do evento no facebook.

    O The Ink Link é uma rede de profissionais em quadrinhos e desenvolvimento. Os membros colocam suas habilidades a serviço de causas sociais e humanitárias. O desenho é proposto como uma ferramenta de mediação e informação.
    A Casa dos Povos e da Paz Angoulême representa associações em conexão com comunidades estrangeiras, associações de solidariedade e defesa dos direitos humanos. É apoiada por comunidades locais e muitos voluntários.
    A cada ano, reúne o coletivo “Quando os quadrinhos se envolvem” e dá carta branca para uma estrutura de trabalhos em quadrinhos.
  • EXPOSIÇÃO THE INK LINK, QUANDO OS QUADRINHOS SE ENVOLVEM


    Durante o 46º
    Festival Internacional de la Bande Dessinée de Angoulême
    , França, The Ink Link
    estará com a exposição inédita, “Quando os quadrinhos se envolvem, 2019: Casa
    dos Povos e da Paz”, dos dias 24 a 27 de janeiro de 2019. A e
    ntrada  é livre.

    Endereço:
    Maison des Peuples et de la Paix  – 50 rue Hergé
    16000 Angoulême
    Destaques a programação:
    • Sexta-feira, 25 de
      janeiro às 11h: visita guiada por Aurélie Neyret e Laure Garancher da
      exposição Hila, nascida no Afeganistão. 
    • Sexta-feira, 25 de
      janeiro às 18h: abertura da exposição.
    • Sexta-feira, 25 de
      janeiro às 19h: mesa redonda mostra o invisível em quadrinhos por JC
      Deveney, debates entre Aurélie Neyret, Wilfrid Lupano, Laure Garancher e a
      equipe do Médicos Sem Fronteiras.
    • Sábado, 26 de
      janeiro, às 9:30 da manhã: Café da manhã e horário de intercâmbio, Caminhos e
      esperanças dos migrantes, na presença de Olivier Coldefy, membro do The Ink
      Link e Psicólogo Especialista intervindo perto do PJJ, um membro da equipe Médicos
      Sem Fronteiras, membros e jovens da associação AADMIE-RESF 16 e membros da
      associação Baobab. 

    Atualizações na programação
    podem ser encontradas na página do evento no facebook.

    O The Ink Link é uma rede de profissionais em quadrinhos e desenvolvimento. Os
    membros colocam suas habilidades a serviço de causas sociais e
    humanitárias. O desenho é proposto como uma ferramenta de mediação e informação.
    A Casa dos Povos e da Paz Angoulême
    representa associações em conexão com comunidades estrangeiras, associações de
    solidariedade e defesa dos direitos humanos. É apoiada por comunidades
    locais e muitos voluntários.
    A cada ano, reúne o coletivo “Quando os quadrinhos se envolvem” e dá carta
    branca para uma estrutura de trabalhos em quadrinhos.
  • CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO ASPAS NORTE

    DIA 25

    Manhã
    8:30 – Oficina Todo mundo pode fazer quadrinhos, com Rafael Senra
    10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
    Tarde – Apresentações de trabalhos
    14h. A BOYS’ LOVE STORY: A NARRATIVA DE HISTÓRIAS GAYS PARA GAROTAS HETEROSSEXUAIS NO MANGÁ GRAVITATION – RAFAELA FERNANDES BITTENCOURT
    14h15. A HIPERSEXUALIZAÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO DA HEROÍNA MAJESTOSA – Rayanne Rodrigues dos Santos, Marcos Paulo Torres Pereira.
    14h30. MS. MARVEL E A REPRESENTATIVIDADE MUÇULMANA NO UNIVERSO MARVEL — Ana Beatriz Santos Ayres de , Luan Saulo Pureza Callins
    14h45. A JORNADA DA HEROÍNA NO MANGÁ SAINTIA SHÔ — Fernanda Rabelo de Souza
    15h. A QUESTÃO GYNOID NO MANGÁ “GUNNM” –Débora de Sá Ribeiro Aymoré.
    15h15. O DUALISMO CORPO E MENTE NO MANGÁ “THE GHOST IN THE SHELL” – Cindi Lucia Brito da Silva
    15h30. RAMADAN: DEVOÇÃO E SACRIFÍCIO EM SANDMAN, DE NEIL GAIMAN –Marcos Paulo Torres Pereira
    15h45. VONTADE DE PODER NA JORNADA DO HERÓI: UMA LEITURA NIETZSCHIANA DE FULLMETAL ALCHEMIST- Sidarta Amorim Araújo
    17 h – coquetel e feira de venda e troca e venda de quadrinhos.
    18 h – Palestra com Iuri Reblin – Religião nas histórias em quadrinhos: parâmetros e perspectivas de análise

    DIA 26

    Manhã
    8:30 – Oficina de mangá, com Cibele Tenório
    10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
    Tarde – Apresentações de trabalhos
    14 h. A UTILIZAÇÃO DAS HQS EM SALA DE AULA NO ESTADO DO AMAPÁ: UMA REVISÃO DE LITERATURA –Leno Serra Callins
    14h15. GRUPO “PONTO DE FUGA”: O QUADRINHO EM BELÉM ENTRE OS ANOS DE 1991 E 1996 —Elton Galdino de Lima
    14h30. CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA E OS QUADRINHOS: “NA MIRA DA LENA” SOB A ÓTICA DA CROSSMEDIA – Karina Pacheco
    14h45. O USO DA ELIPSE EM CAVALEIRO DAS TREVAS, DE FRANK MILLER – Ivan Carlo Andrade de Oliveira
    15h. A NARRATIVA AUDIOVISUAL DO FILME E QUADRINHO WATCHMEN: ESTUDO COMPARADO –Marta Bezerra
    15h15. SIMULACRO E HIPER-REALIDADE EM “OS CAÇADORES DE SONHOS”, DE NEIL GAIMAN – Rafael Senra Coelho
    15h30. PROCESSO CRIATIVO DE PUBLICAÇÕES AUTORAIS DE OBRAS INDEPENDENTES DE HQ EM PLATAFORMAS DIGITAIS – Messias Freitas da Silva.
    15h45. O USO DO HORROR, TERROR E SUSPENSE NAS OBRAS DE JUNJI ITO —Autoria: Arthur Corrêa Baía
    17 h – coquetel e feira de venda e troca e venda de quadrinhos
    18 h – Palestra com Edgar Franco – Criando Quadrinhos Expandidos: das HQtrônicas aos Softwares Livres da Natureza.
  • CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO ASPAS NORTE

    DIA 25

    Manhã
    8:30 – Oficina Todo mundo pode fazer quadrinhos, com Rafael Senra
    10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
    Tarde – Apresentações de trabalhos
    14h. A BOYS’ LOVE STORY: A NARRATIVA DE HISTÓRIAS GAYS PARA GAROTAS HETEROSSEXUAIS NO MANGÁ GRAVITATION – RAFAELA FERNANDES BITTENCOURT
    14h15. A HIPERSEXUALIZAÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO DA HEROÍNA MAJESTOSA – Rayanne Rodrigues dos Santos, Marcos Paulo Torres Pereira.
    14h30. MS. MARVEL E A REPRESENTATIVIDADE MUÇULMANA NO UNIVERSO MARVEL — Ana Beatriz Santos Ayres de , Luan Saulo Pureza Callins
    14h45. A JORNADA DA HEROÍNA NO MANGÁ SAINTIA SHÔ — Fernanda Rabelo de Souza
    15h. A QUESTÃO GYNOID NO MANGÁ “GUNNM” –Débora de Sá Ribeiro Aymoré.
    15h15. O DUALISMO CORPO E MENTE NO MANGÁ “THE GHOST IN THE SHELL” – Cindi Lucia Brito da Silva
    15h30. RAMADAN: DEVOÇÃO E SACRIFÍCIO EM SANDMAN, DE NEIL GAIMAN –Marcos Paulo Torres Pereira
    15h45. VONTADE DE PODER NA JORNADA DO HERÓI: UMA LEITURA NIETZSCHIANA DE FULLMETAL ALCHEMIST- Sidarta Amorim Araújo
    17 h – coquetel e feira de venda e troca e venda de quadrinhos.
    18 h – Palestra com Iuri Reblin – Religião nas histórias em quadrinhos: parâmetros e perspectivas de análise

    DIA 26

    Manhã
    8:30 – Oficina de mangá, com Cibele Tenório
    10:30 – Oficina Roteiro de quadrinhos, com Gian Danton
    Tarde – Apresentações de trabalhos
    14 h. A UTILIZAÇÃO DAS HQS EM SALA DE AULA NO ESTADO DO AMAPÁ: UMA REVISÃO DE LITERATURA –Leno Serra Callins
    14h15. GRUPO “PONTO DE FUGA”: O QUADRINHO EM BELÉM ENTRE OS ANOS DE 1991 E 1996 —Elton Galdino de Lima
    14h30. CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA E OS QUADRINHOS: “NA MIRA DA LENA” SOB A ÓTICA DA CROSSMEDIA – Karina Pacheco
    14h45. O USO DA ELIPSE EM CAVALEIRO DAS TREVAS, DE FRANK MILLER – Ivan Carlo Andrade de Oliveira
    15h. A NARRATIVA AUDIOVISUAL DO FILME E QUADRINHO WATCHMEN: ESTUDO COMPARADO –Marta Bezerra
    15h15. SIMULACRO E HIPER-REALIDADE EM “OS CAÇADORES DE SONHOS”, DE NEIL GAIMAN – Rafael Senra Coelho
    15h30. PROCESSO CRIATIVO DE PUBLICAÇÕES AUTORAIS DE OBRAS INDEPENDENTES DE HQ EM PLATAFORMAS DIGITAIS – Messias Freitas da Silva.
    15h45. O USO DO HORROR, TERROR E SUSPENSE NAS OBRAS DE JUNJI ITO —Autoria: Arthur Corrêa Baía
    17 h – coquetel e feira de venda e troca e venda de quadrinhos
    18 h – Palestra com Edgar Franco – Criando Quadrinhos Expandidos: das HQtrônicas aos Softwares Livres da Natureza.