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  • HISTÓRIA EM QUADRINHOS E INTERDISCIPLINARIDADE: DESAFIOS METODOLÓGICOS

    HISTÓRIA EM QUADRINHOS E INTERDISCIPLINARIDADE: DESAFIOS METODOLÓGICOS

    Hoje, 30 de junho de 2024, a ASPAS está lançando o livro em formato e-book “Histórias em Quadrinhos e interdisciplinaridade: desafios metodológicos”, organizado por Maiara Alvim de Almeira, Amaro Xavier Braga Jr e Natania Aparecida da S. Nogueira. O livro é resultado da seleção trabalhos aprovados para o VI Entre ASPAS, encontro bianual da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, ocorrido em Leopoldina (MG), em maio de 2023. A obra reúne textos de cerca de 20 autores, com temas que percorrem diversos campos do conhecimento.

    O lançamento oficial será realizado no canal da ASPAS no YouTube, às 18 h (horários de Brasília) e contará com a presença dos organizadores. O e-book ficará disponível para download neste blog, no campo “publicações”.

    Está prevista a impressão de uma pequena tiragem do livro para lançamento em agosto de 2024.

  • A ASPIANA TRINA ROBBINS NOS DEIXOU

    A ASPIANA TRINA ROBBINS NOS DEIXOU

    Trina Robbins, São Paulo, 2015.

    A quadrinista Trina Robbins nos deixou no dia 10 de abril de
    2024. Nascida em 1938, ela viveu sua infância e juventude em plena “Era de
    Ouro dos Quadrinhos”. ´Na década de 1950 atuava junto à “science fiction
    fandom”. Foi uma das primeiras mulheres a integrar e influenciar o movimento
    dos quadrinhos underground. Com uma carreira com mais de
    meio século, trabalhou em muitas editoras e suas ilustrações chegaram a ser
    exibidas em uma galeria de arte, em 2011.

    Ficou conhecida por sua participação em histórias de personagens famosas
    como Vampirella (1969), publicada pela Warren Publishing, da qual foi coautora.
    Trina desenhou sua roupa e deu a ela parte de suas características físicas,
    como o cabelo, por exemplo. Outra personagem que passou por suas mãos foi a
    Mulher Maravilha (1986). Dessa personagem destaca sua participação como
    desenhista em The Legend of Wonder Woman, escrito por Kurt Busiek,
    série que prestou homenagem às raízes da Era de Ouro do personagem. No final de
    1990, Robbins colaborou ainda com Colleen Doran na graphic novel Wonder
    Woman: The Once and Future Story
    , sobre o tema da violência conjugal.

    Em sua trajetória profissional, Trina Robbins trafegou por todos os
    ambientes artísticos, desde jornais feministas clandestinos nos anos de 1970
    até editoras de renome, como a DC Comics e a Marvel Comics. A biografia dessa
    autora é extensa e seu trabalho foi reconhecido com prêmios e menções honrosas
    que preencheriam várias páginas.

    Como cartunista e feminista, ajudou a promover a venda de quadrinhos
    feitos por mulheres. Robbins foi uma co-fundadora da Friends of Lulu,
    uma organização sem fins lucrativos, formada em 1994, para promover a leitura
    de histórias em quadrinhos feitas por mulheres e a participação das mulheres na
    indústria dos quadrinhos. Sua produção caracteriza-se pelo engajamento social e
    político.  Trina nunca teve receio de colocar em público suas opiniões.
    Chegou a criticar abertamente o machismo e a misoginia de cartunistas
    consagrados, como Robert Crumbe e Mike Deodato. Em 1993 lançou um livro que
    pode ser considerado um clássico, A Century of Women Cartoonists.

    Mas o que queremos aqui é destacar a importância da obra de não-ficção
    de Trina Robbins para a História das Mulheres nos quadrinhos. A cartunista tem
    se dedicado há mais de três décadas a pesquisar a história das mulheres que
    produziram quadrinhos nos Estados Unidos. Não é apenas um levantamento
    biográfico, mas uma pesquisa ampla que envolve o resgate de produções da “Era
    de Ouro” já há muito tempo esquecidas.

    Como historiadora dos quadrinhos, Trina Robbins pode ser classificada
    como uma pioneira na História das Mulheres nos Estados Unidos. No ano de 2015
    ela esteve no Brasil pela primeira vez, a convite das Jornadas Internacionais
    de Quadrinhos da USP. Na época ela também participou de um encontro entre quadrinistas,
    realizado na Gibiteca Henfil, em parceria com a ASPAS. Na época, Trina Robbins
    tornou-se membro horária da ASPAS e, posteriormente teve um artigo publicados no
    livro Gênero, Sexualidade & Feminismo nos Quadrinhos, e Sexo & Gênero nos quadrinhos, ambos de 2020.

    Seu legado está presente não apenas nos quadrinhos que produziu mas,
    também,  nas pesquisas sobre mulheres nos
    quadrinhos realizadas não apenas nos Estados Unidos mas também no Brasil e em
    diversos outros países.

    * Texto adaptado.

  • Cinco HQs & Uns Livros: Dicas de Leitura para Março de 2024

    Cinco HQs & Uns Livros: Dicas de Leitura para Março de 2024

    Caros Aspianos e demais público do blog da ASPAS, chegou a hora das indicações de leituras para o mês de março de 2024, feitas por Guilherme Smee.

    5 HQs


    GO GO POWER RANGERS, DE RYAN PARROT E DAN MORA

    Eu fui um grande fã de Power Rangers antes de conhecer os X-Men e ser totalmente fisgado pelo universo dos super-heróis. Então fui conferir a elogiada fase de Ryan Parrot e Dan Mora na equipe de defensores da Alameda dos Anjos que agora está sendo publicada pela IndieVisível Press. Realmente o quadrinho não decepciona e tem um nível mais alto que a maioria dos gibis atuais da Marvel e DC Comics. Isso porque ele foca no relacionamento entre Jason, Billy, Zack, Kimberly e Trini mais do que nas lutas com os bonecos de massa ou com as titânicas lutas entre kaijus e megazords. Parece que somos amigos desses personagens faz tempo. Ou melhor, que estamos resgatando uma amizade de anos e que temos muito assunto a colocar em dia. Não é de se estranhar que Dan Mora se tornou um dos mais celebrados desenhistas da atualidade a partir de seu trabalho aqui em Go Go Power Rangers, porque é um deleite acompanhar sua arte e narrativa. Assim como me empolguei neste primeiro volume, estou ansioso para curtir mais um volume desta série com o que Parrot preparou para a dinâmica da equipe e para as artimanhas de Rita Repulsa para destruir a Terra.


    HERA VENENOSA, VOL. 2, DE G. WILLOW WILSON, MARCIO TAKARA, ATAGUN ILHAN E ALIF PRIANTO
    Depois de ter arrebatado os leitores com uma retratação radical, porém heroica da ecoterrorista Hera Venenosa, G. Willow Wilson continua mantendo as expectativas sobre o título em um nível bastante alto. Na trama, continuamos acompanhando Hera, Pamela Isley, a combater os esporos de fungos que dominam seu corpo. Primeiro quando ela derruba uma empresa de agrotóxicos no centro dos Estados Unidos e salva uma moça com câncer. Depois de a moça se submeter ao tratamento, Hera se encontra com Arlequina, sua namorada. Mas em seguida, após Quina se retirar, Pamela e a moça que salvou vão a um retiro gratiluz. Mas lá acabam enredadas em um problema. Acabam intoxicadas com os fungos presentes no corpo de Hera e começam a ficar eufóricas e a alucinar. Hera sofre uma mutação e só consegue se recuperar com a ajuda de Arlequina, que a convida para retornar ao local que sempre pertenceu: Gotham City. Assim se encerra esse encadernado, com a barra lá no alto, uma trama muito imersiva e ótima de se acompanhar. Ansioso para o próximo volume!




    ALL YOU NEED IS ROBOT, DE LUAN ZUCHI
    O incansável Luan Zuchi fez de novo! Mais um quadrinho em tempo recorde! Tudo bem que não foi nas 24 horas que ele desejava, mas o resultado ficou incrível. Tenho acompanhado o Luan desde seu primeiro quadrinho, Comandante Key, e já colaborei com ele em algumas produções. O Luan não é só incansável nas produções, mas na evolução, cada quadrinho dele supera o anterior. Isso que dizer que este, o mais recente, é o melhor dos que ele já fez. Isso pode ser verificado no seu traço, que está mais solto, menos quadrado, e a aposta numa paleta de cores reduzida combinou muito com o novo estilo, dando o ar perfeito para uma história de ficção científica anti-tecnológica. Fico muito feliz em ver o empenho do Luanzito em sempre melhorar, sempre se desafiar e apresentar diferentes abordagens do seu trabalho. All You Need is Robot renderia um trabalho mais expandido, mais lento na narrativa, ou seja, esse universo e o caminho escolhido poderiam abrir espaço para outras produções, quem sabe com mais páginas. De toda forma, como um laboratório de narrativa, estilo e velocidade, essa publicação cumpre seu papel.




    MUNDO DO CRIME, DE JIM ZUB, RAY FAWKES, JETHRO MORALES, FARID KARAMI, CARLOS NIETO, LUCA PIZZARI, NETHO DIAZ E LORENZO TAMMETTA
    Gosto dessas edições que são de enganar bobo na hora de vender, mas que acabam se revelando melhores que a média dos próprios motes usados para vender. Explico. Este “crossover” chamado Murderworld lá fora foi vendido como se diversos heróis estivessem presos no Mundo do Crime de Arcade. São quatro especiais. Um dos Vingadores, outro do Aranha, outro de Wolverine, um do Cavaleiro da Lua. E então um especial de encerramento. Mas na verdade quem são os protagonistas são as pessoas “comuns” que estão enfrentando os perigos do Mundo do Crime porque fizeram um acordo com Arcade e somente os “mais aptos” sobreviverão e somente um ganhará a bolada prometida por Arcade. Mas alguém quer impedir isso tudo e será Natasha Romanoff, a Viúva Negra que foi manipulada e maltratada por Arcade em sua série solo. Realmente Mundo do Crime, ou Murderworld me surpreendeu mais positivamente do que eu esperava.




    OS EMBAIXADORES, DE MARK MILLAR, TRAVIS CHAREST, MATTEO BUFFAGNI, FRANK QUITELY, OLIVIER COIPEL, MATTEO SCALERA E KARL KERSCHL
    É difícil atualmente uma história em quadrinhos de Mark Millar cair no meu gosto. Mas achei a proposta desta HQ interessante e fui conferir. Pessoas de diversos países do mundo, inclusive o Brasil são escolhidas por uma cientista milionária sulcoreana para formarem um esquadrão de super-heróis mundial. Elas podem acessar até três poderes ao mesmo tempo, contanto que nenhum de seus colegas os esteja usando. Cada parte deste encadernado enfoca um país: Coreia do Sul, Índia, França, Brasil, Austrália e México. Paralelo a isso, o ex-marido ambicioso da Codinome Coréia está reunindo bilionários mundiais e distribuindo poderes a quem pagar mais. Isso gera um conflito entre as duas facções de poderosos, que poderá ser parada com um elemento que estava adormecido, mas tão poderoso quanto qualquer um outro desses seres poderosos. Os desenhos de cada edição são feitos por desenhistas diferentes, também de diversas nacionalidades. Destaque para a arte de Travis Charest que estava afastado do quadrinhos fazia alguns anos.

    UNS LIVROS



    CARICATURA: A IMAGEM GRÁFICA DO HUMOR, DE JOAQUIM DA FONSECA
    Peguei este livro emprestado com o meu tio. Nunca tinha lido, mas sei que é um livro seminal das pesquisas de quadrinhos, principalmente que serve para desambiguação do que é caricatura, cartum, charge, tirinha, história em quadrinhos, etc. Porque nem tudo é a mesma coisa. Mais do que isso, Joaquim da Fonseca apresenta neste livro toda uma tradição de cartunistas de diversos tempos e lugares desde que a caricatura se tornou popular, muito antes da forma moderna das histórias em quadrinhos surgir no mundo. Mas lá pelas tantas, trazendo todos esses artistas de todo o mundo e de várias temporalidades até mesmo o autor se confunde com quem é “apenas” quadrinista e não tem muito a ver com a caricatura. Ou ainda outros tipos de artes gráficas do humor, como ele define no subtítulo. A minha parte favorita do livro é quando Joaquim da Fonseca elenca os grandes quadrinistas brasileiros (é, nem todos eles eram caricaturistas) porque são poucos os livros que trazem um trabalho de pesquisa tão esmerado e inclusivo. Claro, este livro é dos anos 1990, muito antes do digital, e muita coisa mudou desde então e muita gente surgiu nesse cenário. Mas agora eu entendo como tantos usam esse livro como referência e também o reverenciam.

    Até o próximo mês!

    =)



  • Aspiano mantém blog sobre quadrinhos com olhar analítico

    Aspiano mantém blog sobre quadrinhos com olhar analítico



    O site Desenhando Recordatórios é fruto da parceria dos irmãos Iuri e Igor Biagioni Rodrigues. Iuri é professor de História, atualmente está concluindo a especialização em Histórias em Quadrinhos pela EST, é especialista em Museografia e Patrimônio Cultural e membro associado da ASPAS. Igor está concluindo o curso de Cinema de Animação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), possui cursos de extensão sobre cinema, produz desenhos e cartuns no Instagram (@art_iigor) e já desenhou para o Diário Popular de Pelotas.

    O blog surgiu em setembro de 2022 com o objetivo de trazer conteúdos sobre quadrinhos, cinema e séries com foco em críticas e textos sobre as características de cada linguagem. O site possui o intuito de trazer informações e conhecimentos sobre a sétima arte e sobre a nona arte, fugindo de análises descritivas e propagandas. Buscamos analisar filmes, séries e HQs diversas, deste modo, escrevemos sobre blockbusters, produções do mainstream e obras menos faladas também.
    “Buscamos inspiração em grandes nomes de cada ramo para produzir nosso conteúdo. Partindo dessas referências, e de nossas características próprias, criamos o site para compartilhar nossas opiniões, ideias, dicas, críticas de séries, quadrinhos, cinema, estudos e conhecimentos sobre o mundo dos quadrinhos, cinema e televisão com as pessoas que também são interessadas pelo tema. Estamos sempre abertos para trocar ideias com todo mundo. Além disso, o site tem um perfil no Instagram (@desenhandorecordatorios) que divulga as postagens do blog e traz conteúdo próprio, o podcast Odisseia do Frango Frito no Spotify e, mais recentemente, um canal no YouTube (Desenhando Recordatórios)”, destaca Iuri.
    Algumas postagens selecionadas do blog de Iuri e Igor estão disponíveis nos links abaixo:
  • Cinco HQs & Uns Livros: Dicas de Leitura para Fevereiro de 2024

    Cinco HQs & Uns Livros: Dicas de Leitura para Fevereiro de 2024

    Caros Aspianos e demais público do blog da ASPAS, chegou a hora das indicações de leituras para o mês de fevereiro de 2024, feitas por Guilherme Smee.


    5 HQs


    QUARTETO FANTÁSTICO, VOL.1: O QUE ACONTECEU COM O QUARTETO FANTÀSTICO, DE RYAN NORTH, IBAN COELLO E IVAN FIORELLI

    Depois da Marvel, mais especificamente o Marvel Studios, ter feito um boicote com os X-Men e o Quarteto Fantástico cujos direitos pertenciam à Fox, os quadrinhos da primeira família da Marvel ficaram sob a incumbência de Dan Slott. Infelizmente a passagem de Slott pelo gibi foi de altos e baixos. Essa nova fase do título, por Ryan North, responsável pelo quadrinho da Garota-Esquilo, é muito melhor que a de Slott. É mais esperta, cheia de referências e citações legais, mas mais do que isso, não quer ser grandiloquente, e aposta primeiro no singelo e muito em teorias científicas. Isso acaba fazendo de Reed Richard, de longe o personagem mais chato da equipe, em alguém mais palatável. Nesse primeiro encadernado o Quarteto fez algo para salvar o mundo que custou um grande sacrifício para a equipe e para Nova York. Mas em vez de começar com esse evento bombástico, North vai estabelecendo os personagens em historias curtas e expressivas para só no quarto número colocar O Que Aconteceu com o Quarteto Fantástico. Então o leitor fica sabendo o terrível segredo que trouxe sofrimento e ansiedade para a equipe. Nem por isso a aventura para. Ela continua ainda melhor. E os próximos encadernados prometem!


    XEQUE-MATE: PARTE 1, DE GREG RUCKA, JUDD WINNICK, JESUS SAIZ E JOE BENNETT

    Xeque-Mate faz parte de uma onda de quadrinhos noir que assolou os comics estadunidenses em meados dos anos 2000. Não apenas as tramas continham elementos detetivescos e plots twists inacreditáveis, mas também a arte dessas HQs continham uma presença de preto muito maior nas páginas e na forma de contar essas histórias. Xeque-Mate conta as missões de um agência internacional sancionada pelo conselho de segurança da ONU, que lida com problemas meta-humanos. Fazem parte dela diversos personagens com poderes e sem poderes da DC Comics, com destaque para Amanda Waller que é a causa de muitos problemas para o próprio Xeque-Mate. O roteiro de Grag Rucka é incrível, o autor estava realmente inspirado ao criar todas essas tramas entrelaçadas e complexas que o Xeque-Mate encara, como muitas reviravoltas embasbacantes. E, para nós, brasileiros, tem um gostinho especial porque ela lança holofotes em determinadas partes para Beatriz da Costa, a Fogo, que tem um passado obscuro envolvendo a ditadura militar brasileira. Além de ser um quadrinho incrível também tem consciência social.



    CANSEI DE SER MONSTRO, DE THAIS LEAL E GUILHERME DE SOUSA
    As narrativas em quadrinho do meu xará Guilherme de Sousa tem como marca subverter as expectativas do leitor, levado por um senso comum de que bailarinas não têm defeito ou que todo monstro é monstruoso. Desta vez, ao lado de sua companheira, Thais Leal, os dois nos levam para uma aventura em que um monstro desses do estilo de Monstros S/A vem ao nosso mundo em busca de uma criancinha pra papar, mas lá pelas tantas decide que não que mais ser monstro e sim uma pessoa. Nisso, ele e seu ajudante mirim – a criança que ele não papou – vão se embrenhar em confusões no confuso mundo das pessoas adultas, mas com o toque especial dessas tramas que o xará põe o dedo, que é de subverter tudo aquilo que esperávamos que fosse acontecer. Essa é uma das grandes ferramentas do humor, já elencadas por estudiosos da narrativa e que é tão bem realizada nessa história em quadrinhos. Por isso, ela tem o potencial de agradar não somente as crianças que não serão papadas por monstros, como para quem tem uma criança dentro de si (e não precisou papar ninguém pra isso).

    PRIMORDIAL, DE JEFF LEMIRE E ANDREA SORRENTINO

    Fazia um tempinho que Primordial estava na minha pilha de leitura, mas eu confesso que dei uma cansadinha de Jeff Lemire por um tempo. Andava muito repetitivo. Contudo, ao ler Primordial me deparei com um outro Lemire, o que fica distante das tramas familiares e vai em busca da ficção científica. Primeiro, é preciso dizer que Primordial é, em essência uma grande homenagem a We3, de Grant Morrison e de Frank Quitely. De Morrison vêm as realidades extradimensionais, fora do conhecimento humano, mas que alguns de nós (no caso os animais protagonistas desta HQ) podem atingir. Andrea Sorrentino, o desenhista de Primordial, não esconde que usou muito dos layouts de páginas que Quitely trabalhou em We3 e em outros trabalhos como Flex Mentallo, ao lado de Morrison. Mas a HQ tem as suas próprias qualidades, que é a forma como nos importamos com os bichinhos da trama. Quando ela acabou me deu vontade de ir abraçar meus gatinhos. Então Primordial fez isso: retomar meu interesse por Jeff Lemire e por Andrea Sorrentino, que tinham me perdido muito em Gideon Falls.


    BAZAR DAS MARAVILHAS, DE MARCUS LEOPOLDINO E DANIEL FRANCO

    O amigo Marcus Leopoldino é uma máquina de criação de roteiros e sempre está com um novo lançamento para oferecer ao público da Risco Editora. Acho que este Bazar das Maravilhas foi um dos quadrinhos dele que mais gostei. Ele conta a história de dois irmãos em busca de sua ancestralidade, que tem a ver com uma tribo indígena que foi visitada por uma expedição belga no século XIX. Enquanto os irmãos vão procurando encontrar pistas sobre a trajetória de sua família, no passado, acompanhamos as aventuras de Kauane, uma menininha indígena. Kauane acaba sendo capturada e transportada Brasil afora. Em um certo momento, as duas histórias encontram uma conexão. Acredito que muito do tempo que Marcus passou servindo o exército na Amazônia ajudo a compor essa história em quadrinhos. Bazar das Maravilhas também conta com os esplendorosos desenhos de Daniel Franco, que dão toda uma atmosfera própria para o quadrinho, mostrando aventura e sentimento nos momentos e nas quantidades certas.

    (mais…)

  • ASPIANA É CONTEMPLADA COM TROFÉU ANGELO AGOSTINI

    ASPIANA É CONTEMPLADA COM TROFÉU ANGELO AGOSTINI

    A Prof.ª Dr.ª Danielle Barros foi premiada com o troféu Angelo Agostini na noite de 30 de janeiro, data em que se comemora o Dia do Quadrinho Nacional no Brasil. Papo de Mulher: AlmanaqueZine de Fotonovelas, organizado pela professora foi contemplado como melhor fanzine da premiação, que está em sua 39ª edição. 


    Evllin Sousa Cardoso Oliveira, bolsista de Medicina na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFESB), também faz parte da feitura desta publicação. A equipe conta ainda com a colaboração voluntária das monitoras, e discentes da Licenciatura Interdisciplinar em Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Maria Aparecida Reis de Souza, Jaqueline Pessoa Gonzaga e Ane Cattariny Nossa. O projeto também foi apresentado em diversos eventos acadêmicos nacionais e internacionais.


    A Prof.ª Dr.ª Danielle Barros utiliza o formato fotonovela para comunicar mensagens sobre a prevenção e o tratamento de doenças e outros males da saúde através de fanzines. O trabalho conta com 24 páginas coloridas, contendo oito histórias elaboradas por Aline Baffa, Ana Basaglia, Andréa Rocha, Ane Cattariny Nossa, Danielle Barros, Evllin Oliveira, Jéssica Souza e Thina Curtis.


    Evllin Oliveira fala sobre a sensação de ser contemplada com o Angelo Agostini: “Fico muito feliz de fazer parte do projeto Papo de Mulher que me proporcionou o contato com o mundo dos fanzines, aprendendo a compartilhar do conhecimento científico junto de saberes de tantas mulheres em que formamos nossa primeira edição do AlmanaqueZine de Fotonovelas, sendo uma honra ser autora participante dessa produção e de estar na homenagem do prêmio Ângelo Agostini 2024”. Completa, saudando sua supervisora “Gratidão à minha orientadora Danielle Barros que tem me guiado em tantos caminhos da educação é feito a diferença no meu crescimento profissional e pessoal”.


    Por sua vez, a Prof.ª Dr.ª Danielle Barros traz um profundo depoimento sobre a importância da arte sequencial na luta para contribuir com a saúde e o bem-estar da população brasileira: “O projeto Papo de Mulher, hoje denominado Papo de Mulher na Educação Científica: Proposições de práticas pedagógicas lúdicas e decoloniais para o ensino de ciências e saúde”, surgiu em 2021 e trata temáticas pertinentes às mulheres, desde assuntos ligados a políticas públicas bem como questões relacionadas ao racismo estrutural, saúde mental das mulheres negras, entre outros. É importante ressaltar aqui a potência que os fanzines têm não apenas na educação, mas como meio de expor nossas vozes, sentimentos, autoralidade, arte e cultura”.


    Ela ressalta o papel da ASPAS e de suas oficinas como parte de uma contribuição importante para sua formação sobre fanzines: “Receber esse troféu foi uma grande emoção e motivo de alegria. Embora já fizesse ‘zines’ desde criança quando criava minhas próprias revistas artesanais, conheci o termo ‘fanzine’ em 2012 quando participei como aluna de uma oficina de zines com o prof Gazy Andraus no I Entre Aspas. Desde então me tornei fanzineira e levei os zines para minha prática pedagógica em sala de aula na universidade, para a pesquisa acadêmica e extensão”.


    A ASPAS gostaria de celebrar ao lado de Danielle e Evllin esta conquista que lança luz aos trabalhos de nossos associados e celebra a arte sequencial, especialmente em suas formas fanzine e fotonovela.


    Danielle Barros é doutora em Ciências pela Fiocruz, professora adjunta da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), credenciada no Programa de Pós-Graduação em Ensino e Relações Étnico Raciais (PPGER/UFSB), membro do GT de Comunicação e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Membro da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS). Coordenadora dos projetos: Ciarte (Ciência, Arte e Ensino), Cartozine, Epicovitx, Divulcovid, JOGOTECA UFSB e Papo de Mulher.


    Links importantes:

    Se você ainda não leu, baixe o fanzine aqui – Papo de Mulher: Almanaquezine de Fotonovelas: https://www.canva.com/design/DAFMuuNWjHA/jOmhhCVrxTsmXGHUhnbPZg/edit?utm_content=DAFMuuNWjHA&utm_campaign=designshare&utm_medium=link2&utm_source=sharebutton 

    Trecho da premiação do fanzine Papo de Mulher:

     https://youtu.be/rAXkplvzcxw 

    Confira a cerimônia de premiação completa aqui: https://www.youtube.com/live/b9c-T51362s?si=MEMM5y5-m__1QJMW 

    Siga Papo de Mulher no Instagram:

     https://www.instagram.com/papodemulherufsb/ 

    Veja outras notícias do projeto:

    Vencedores do 39º Troféu Angelo Agostini: 

    https://aqc-sp.com.br/2024/01/30/vencedores-do-39o-trofeu-angelo-agostini/ 

    Professora Danielle Barros (UFSB) participa do congresso 7as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos na USP com apresentação de trabalho e lançamento de livro :https://ivsacerdotisa.blogspot.com/2023/09/docente-da-ufsb-participa-do-congresso.html 

    Professora da UFSB (Campus Paulo Freire) apresenta trabalho em congresso na Argentina: https://correiodoestadobahia.com.br/?p=6452 

    Projeto de extensão desenvolve fotonovelas para comunicar sobre educação em saúde :https://ufsb.edu.br/ultimas-noticias/3831-projeto-de-extensao-desenvolve-fotonovelas-para-comunicar-sobre-educacao-em-saude 

    Publicado artigo completo do projeto de extensão Papo de Mulher sobre mapeamento da utilização de fotonovelas na Educação e Comunicação em Saúde:
    https://ufsb.edu.br/ultimas-noticias/4094-publicado-artigo-completo-do-projeto-de-extensao-papo-de-mulher-sobre-mapeamento-da-utilizacao-de-fotonovelas-na-educacao-e-comunicacao-em-saude

  • Cinco HQs & Uns Livros: Dicas de Leitura para Janeiro de 2024

    Cinco HQs & Uns Livros: Dicas de Leitura para Janeiro de 2024

    Caros Aspianos e demais público do blog da ASPAS, chegou a hora das indicações de leituras para o mês de janeiro de 2024, feitas por Guilherme Smee.

    CINCO HQs


    SANDMAN APRESENTA, VOL. 7: O CORÍNTIO E BAST, DE DARKO MACAN, DANIEL ZEZELJ, CAITLIN R. KIERNAN E JOE BENNETT

    Acredito que desta coleção Sandman Apresenta, trazida este ano pela Panini Comics Brasil com base em uma coleção italiana, este volume é o único que tem todas as histórias inéditas no Brasil. São duas minissérie em três edições. Duas história ao bom e velho estilo da Vertigo: adultas com temas maduros, desenhos carregados e acontecimentos que estarrecem os leitores. A crueldade em uma Veneza pós-Primeira Guerra, com a ascensão dos movimentos fascistas é trazia em O Coríntio. Desenvolvida por Darko Macan, que escreveu Cable, e desenhada por Danijel Zezelj, de Loveless e Constantine é uma ótima história de pesadelo na vida real. Outra história nesse sentido é a minissérie de Bast, que de certa forma dá continuidade a Um Sonho de Mil Gatos, Sandman. Escrita por Caitlin R. Kiernan, de O Sonhar e desenhada pelo brasileiro bolsonarista Joe Bennet, ambos conferem o estado quasi-onírico dessa história de mortes e ressurreições, humanos e divindades, promessas e desilusões. Um ótimo volume trazendo um bom exemplo da vanguarda que a Vertigo costumava trazer até ser cancelada pela DC Comics.




    INVASÃO SECRETA: MISSÃO TERRA, DE RYAN NORTH E FRANCESCO MOBILI
    Quando a Marvel lança alguma produção audiovisual, uma das consequências óbvias é que irá trazer para os quadrinhos algo relacionado com esse título. Embora a série de TV para o Disney+ não tenha conseguido conquistar os espectadores do começo ao final da obra, esta história em quadrinhos prende o leitor de cabo a rabo. Envolvendo os ex-agentes da SHIELD, Nick Fury Jr. e Maria Hill, temos uma ótima série de espionagem levando em conta em quem se pode confiar e se até mesmo podemos acreditar nos nossos sentidos. O roteiro de Ryan North é muito esperto, é rápido, cheio de reviravoltas e com bons diálogos. Já os desenhos de Francesco Mobili se ajustam muito bem com o clima de suspense e de suspeita que se estabelece na história. Muito mais que apenas um produto derivado de uma série malfadada, essa minissérie, completa aqui neste encadernado da Panini é uma boa pedida e, dentro das suas possibilidades, desenvolve melhor que a saga em que foi baseada, porque resolve tudo dentro de uma determinada abrangência de personagens sem querer causar muito alarde ou ser grandiloquente como sua antecessora.




    MÁQUINAS DEVEM MORRER, DE DAN AROEIRA
    Acompanhei o processo de criação de Machines Must Die, desenvolvido pelo amigão Dan Aroeira. E, pra começar, esse é um elemento que as IAs não podem nos fornecer: o processo por trás da criação de suas imagens e textos, porque eles são apenas códigos binários. O Dan tem sido um aguerrido defensor dos artistas na luta pela conscientização dos perigos das IAs para o futuro. Essa publicação, mais que um quadrinho apenas é um manifesto que traz uma analogia em forma de arte da ameaça que esses robôs, essas “ferramentas” representam para os artífices humanos. Em poucos anos a criatividade poderá se tornar lenda. Por isso, além de explicar desenhando, Dan também traz um material extra nessa publicação com um texto de própria autoria e bem embasado teoricamente, com todas as referências explicitadas. Essa história faz parte, também, da publicação quadrinhos sonoros e foi inspirada na música homônima do mineiro Anderson Noise. Se você busca um material educativo e revelador sobre o uso indiscriminado de AIs, esta é a direção. Além disso, usar AIs é ruim porque o resultado é feio e brega. ‘Nuff Said!



    JUSTICEIRO, VOL. 3, DE JASON AARON, PAUL AZACETA, JESUS SAIZ, TORUNN GRONBEKK E DJIBRIL MORISSETTE-PHAN
    Numa primeira olhada, o leitor comum não conseguirá definir melhor essa fase do Justiceiro como um massaveismo com Frank Castle se tornando um adepto do Tentáculo e cada vez mais aprofundado no culto à Besta e como lutas porra-loucas o tempo todo. Mas aliado a isso tem o lado humano de um homem afetado pela guerra e cuja indiferença pelo mundo começa a prejudicar sua relação com sua família. Talvez não possa parecer, mas é algo que acontece com diversos homens ao redor do mundo que, afetados por guerras ou não, começam a perder o interesse por cuidar da família dando vazão ao lado que faz demostrarem que sejam “verdadeiros homens”, apáticos, violentos e sem carinho pelos que deveriam amar. Nesse sentido, essa fase do Justiceiro por Jason Aaron traz tantas camadas do papel do homem na sociedade, que se torna uma das melhores análises do personagem já feitas, por lidar com um elemento constituinte do Justiceiro, mas pouco explorado: como ele trata sua família. Vale dizer também que este encadernado traz o melhor roteiro de Torunn Gronbekk que já li. Não que seja muito difícil.




    GOTHAM CITY: ANO UM, DE TOM KING E PHIL HESTER
    Apesar de Gotham City: Ano Um ser escrita por Tom King, escritor de quadrinhos badalado dos últimos anos, não vi nenhuma comoção a respeito da minissérie por aí. Mas gostei da premissa: mostrar como o crime e a corrupção começaram na cidade, duas gerações antes do surgimento do Batman. A história é focada em Slam Bradley, detetive particular criado pelos mesmos inventores do Superman. O que me encantou mesmo nessa minissérie foi a tentativa de emular as narrativas noir dos anos 1930 de autores como Mickey Spillane e Raymond Chandler, com um protagonista imponente como Bradley e personagens sem escrúpulos e nem remorsos como os Wayne daquela época. São todos ingredientes que um belo romance noir pede, além de uma polícia não confiável e algumas pitadas de femmes fatales agindo dentro da trama. Mas temos também os plot twists interessantes de histórias clássicas do noir como Chinatown e L. A. Confidencial. Esse quadrinho me fez ficar grudado nele até eu entender todos os mistérios que ele estabelece e desbarata até a última página, mas também acaba deixando alguns na incumbência do leitor.


    UNS LIVROS



    A CRISE DA NARRAÇÃO, DE BYUNG-CHUL HAN
    Byung-Chul Han é definitivamente meu filósofo contemporâneo favorito. Talvez porque tenha uma escrita acessível e esteja antenado com questões essencialmente da contemporaneidade. Em A Crise da Narração, Han aponta outro problema gerado em nosso entendimento de mundo gerado pela internet, a digitalização e a plataformização, a confusão entre narração e storytelling. Além disso, o filósofo opõe narração e narrativa e aproxima storytelling de storyselling, tão apregoado pela publicidade ultimamente. É por causa da crise da narrativa que estamos consumindo cada vez mais mais do mesmo dos produtos culturais que consumimos. Isso porque não consumimos mais a construção do mistério, mas as revelações escancaradas de tudo, uma oposição que Han já fez em outras obras opondo o liso do rugoso, o positivo do negativo e o erótico do pornográfico. Assim, se lidas uma atrás da outra, as obras de Han dão uma dimensão maior de seu estilo, temática e como muitos apontamentos reverberam em diferentes trabalhos. Este livro é mais uma confirmação disso tudo.



    QUADRINHOS: PROFISSÃO E TRABALHO CRIATIVO, DE GLEDSON RIBEIRO DE OLIVEIRA
    Primeiro eu tinha baixado este livro como PDF no site da Editora Marca de Fantasia. Depois, encontrei ele em formato físico na Comix Book Shop, em São Paulo e aí sim eu fui lê-lo. Achei um ótimo livro, que aponta bastante coisas sobre o mercado de quadrinhos brasileiro. A principal conquista desta pesquisa é indicar como os trabalhadores dos quadrinhos pensam a si mesmos sob qual identidade e as respostas são as mais variadas possíveis, o que mostra como não existe uma consciência de classe sobre esse tipo de trabalho no Brasil. Contudo, acredito que a pesquisa focou muito nos trabalhadores de quadrinhos do nordeste e vinculados com o mercado estrangeiro, principalmente dos Estados Unidos. Acredito que um trabalho que trouxesse realidade das cinco regiões do país poderia ter um resultado diferente. Por sorte e juízo, em nenhum momento o autor propõe a pesquisa como algo que vai trazer a realidade brasileira como um todo. Aliás, o rigor da pesquisa e a escrita certeira são dois grandes pontos desta publicação.

    Até o próximo mês!

    =)





  • Cinco HQs & Uns Livros: Dicas de Leitura para Dezembro de 2023

    Cinco HQs & Uns Livros: Dicas de Leitura para Dezembro de 2023

    Caros leitores, vamos dar início a uma nova sessão no Blog da ASPAS, em que Guilherme Smee trará cinco dicas de leituras de quadrinhos e, ás vezes, algumas de livros relacionados com quadrinhos a cada mês. Começando agora em dezembro a partir de suas leituras feitas no mês anterior, no caso, novembro. Fiquem à vontade para acompanhar.

    CINCO HQs


    ALEGORIA #6, DE DIVERSOS AUTORES

    A primeira edição do novo formato de Alegoria traz histórias da Era de Ouro e da Era de Prata dos quadrinhos estadunidenses. Esta, em particular, tem temática de super-heróis. A proposta da revista Alegoria (que até o número 5 era um fanzine) é a de resgatar (mesmo) histórias de um período mais longínquo da produção de história em quadrinhos, os anos 1940 e 150, tramas que já caíram em domínio público. A seleção e curadoria é de Wilson Costa de Souza, que pinça histórias muito boas de acordo com a temática de cada edição. Na edição seis, grandes nomes como Jack Kirby, Steve Ditko, Dick Ayers produzem histórias fascinantes, como a primeira aparição do Ghost Rider, que teria variantes mais famosas com o passar dos anos. Kamandi e Cadmus tem suas sementes apresentas nesta edição, por Jack Kirby. Outras tramas intrigantes de super-heróis, com aventura, fantasia e ficção científica são apresentadas nesta ótima edição. O único porém, são as letras dos balões e dos editoriais, que ficam aquém das belas capas.


    NICK RAIDER ESPECIAL, VOL 1: QUE FIM LEVOU MARY ROSE?, DE CLAUDIO NIZZI E FEDERICO ANTONORI

    Esta edição marca uma nova coleção – inédita – do detetive Nick Raider no Brasil. É a sua série de especiais, edições mais polpudas, com histórias completas. Nesta edição temos uma história infernal. Isso porque a trama lida com um seita satânica. Nick Raider e sua divisão policial precisam lidar com um homicídio ocorrido há nove meses e uma moça desaparecida que, supostamente, estaria grávida do homem assassinado. Os diálogos são muito bem construídos e as relações que os personagens estabelecem entre si nos levam a supor coisas e depois entrar em plots twists bastante interessantes e divertidos de acompanhar. O nome Mary Rose, como talvez alguns possam suspeitar, devido ao tema demoníaco, é uma homenagem ao filme O Bebê de Rosemary. Os desenhos são muito bons e, apesar desta história em quadrinhos ter sido publicada originalmente na Itália em 1989, não tem aquela carga datada que muitos quadrinhos de faroeste da Bonelli penam em ter. Assim que foi uma ótima leitura Bonelli, daquelas que nos fazem querer voltar mais e mais vezes nos personagens e nas publicações da editora.


    NA SALA DOS ESPELHOS, DE LIV STRÖMQUIST

    Os quadrinho em estilo “documentário/acadêmico” produzidos por gente como Liv Strömquist e Box Brown têm me conquistado muito nos últimos tempos. São quadrinhos que não contém desenhos muito rebuscados ou extremamente detalhados, às vezes os quadros têm mais texto do que as ilustrações em si. Mas eles contém uma ironia que nos faz sorrir e até gargalhar sobre o assunto tematizado por esses autores e autoras. Na Sala dos Espelhos trata sobre nossa incessante busca pela beleza, como algo subjetivo e que, provavelmente, nunca alcançaremos. Liv se utiliza de diferentes teóricos, notícias e fatos históricos para contar como somos dependentes desse inalcançável conceito de beleza. Esse também é o primeiro álbum de Liv Strömquist que sai colorido no Brasil. Talvez as cores não fossem tão necessárias em determinadas partes do álbum, mas levando em conta que ele fala de opulência, ostentação e diversidade de opiniões, as cores muitas vezes amarram bem o tema proposto. Mais um ótimo livro de Liv Strömquist e que venham muitos mais!


    O EFEITO HE-MAN, DE BOX BROWN

    Talvez O Efeito He-Man seja o melhor quadrinho de Box Brown que tenha lido até então. Claro, muito tem a ver com o fato de que ele lida com um fenômeno que perpassou a minha infância: as empresas investindo forte, num capitalismo tubarônico, para atrair a atenção das crianças para um produto conjugado entre brinquedos, desenhos animados e histórias em quadrinhos. Para explicar tudo isso, Box Brown vai longe, desde estudos psicológicos sobre comportamento de dependência, a estudos sobre a nostalgia e a história mundial a partir da Segunda Guerra Mundial, bem como a origem da publicidade e do merchandising. Tudo isso para evidenciar como as empresas nos manipulam e nos tornam dependentes de seus produtos, sem se importar com escrúpulos ou com as consequências de um consumo desproporcional. Brown também demonstra como essas empresas se viraram quando legislações mais humanas começaram a apertar o cerco contra elas, como as sindicalizações e os direitos de copyright. O Efeito He-Man não é só um ótimo quadrinho, mas uma leitura necessária para toda essa geração que foi manipulada durante sua infância.


    A BELA CASA DO LAGO, VOL. 1, DE JAMES TYNION IV, ALVARO MARTINEZ BUENO E JORDIE BELLAIRE

    Fazia tempo que não ficava tão vidrado em um quadrinho como com A Bela Casa do Lago. Já sabia que James Tynion IV era um escritor talentoso devido ao seu trabalho na DC Comics, e que era superior ao de outros roteiristas da editora. Aqui, sem tantas amarras editoriais, ele traz uma trama de terror envolvente, densa e que mistura também elementos de um suspense de Agatha Christie e de um terror cósmico de H. P. Lovecraft. Além disso, lida com temas como amizade e confiança, a iminência do fim do mundo, segredos e conspirações, com personagens bem construídos e diálogos que servem para o que devem servir, revelá-los. Não conhecia a arte de Álvaro Martínez Bueno e curti imensamente cada página, cada conceito visual que ele criou para essa história em quadrinhos e que não foram poucos. Fiquei muito envolvido com a narrativa e só larguei o encadernado quando realmente acabou o material que tinha em mãos (que é a primeira parte). Mal posso esperar para que Panini Comics Brasil traga a segunda parte desta série para eu me deleitar lendo mais uma vez.


    (mais…)

  • V ASPAS NORTE

    V ASPAS NORTE

    Estão abertas as inscrições para o V ASPAS NORTE, Congresso Internacional de cultura pop da Amazônia. O tema do evento é “Cultura pop”, propondo análises críticas voltadas à pesquisa, ao ensino e processos criativos considerando uma abordagem interdisciplinar no espectro das ciências humanas e das ciências sociais aplicadas.

    Promovido pela Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) em parceria com o Grupo de Pesquisa Cultura Pop da Unifap e com o apoio do Laboratório FoReLLIS da Universidade de Poitiers (França), o ASPAS Norte será realizado nos dias 10 a 11 de novembro de 2023. A programação, presencial e remota, contará com apresentações orais, oficinas, palestras e lançamento de livros, fanzines e revistas. A comissão organizadora do evento é composta pelo Prof. Dr. Ivan Carlo Andrade de Oliveira, Prof. Dr. Rafael Senra Coelho, Profa. Dra. Charlotte Krauss, Prof. Vinicius Guido Leal Juarez e Profa. Lorenna Luanda da Rocha Braga.
    A programação detalhada será disponibilizada posteriormente no site, blog e página do evento.
    A inscrição para apresentação de trabalhos deve ser feita no site (https://www.even3.com.br/v-aspas-norte). Antes de se inscrever, leia todas as instruções com atenção.

  • Disponível nova publicação da ASPAS

    Disponível nova publicação da ASPAS

    Está disponível para download nova publicação da editora da ASPAS. O tempo nos quadrinhos é um e-book que reúne a produção gráfica de Cátia Ana B. Siva, realizada a partir de seu mestrado, defendido em 2019. Explorando a linguagem dos quadrinhos, a autora investiga como se dá a representação do tempo em narrativas literárias e gráficas.

    O e-book é composto por sete histórias em quadrinhos, desenvolvidas entre 2018 e 2019. Cidade, Onde está o tempo?, Circle game, Casulo e Selfie tem até duas páginas e possuem um tom poético e filosófico a respeito de algumas percepções do tempo. Produzidas durante o desenvolvimento da pesquisa da autora, elas foram reunidas e publicadas de forma independente no zine Tempo (2018). A configuração temporal dos quadrinhos compõe as considerações finais da dissertação O tempo multidimensional nos quadrinhos: um estudo das estratégias narrativas em Here, de Richard McGuire, desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás e orientada pelo Prof. Marcelo Ferraz de Paula. Em forma de quadrinhos, nela é sintetizado as observações e conclusões da autora ao longo de sua pesquisa. O Aleph: uma aproximação com os quadrinhos, é uma versão revisada de artigo em quadrinhos apresentado e publicado nos anais das 6as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos de 2019.

    Um pré-lançamento foi realizado em 01/06, presencialmente, na cidade de Leopoldina-MG, durante o VI Entre ASPAS. O próximo lançamento ocorrerá de forma online, no formato de palestra, durante o Seminário Quadrinhos em Discurso, organizado pelo projeto Seminário Interdisciplinar Linguagens, Culturas e Educação – SILCE, da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Campus Oeste/Iporá. O evento, que possui vasta programação online, ocorre dos dias 14/06 a 16/06 no canal do youtube SILCE.

    Baixe e leia o e-book, gratuitamente, em: bit.ly/tempo_quadrinhos.


    Links úteis:

    Palestra II – Escalando montanhas: possibilidades do diálogo entre pesquisa e criação nos quadrinhos
    Palestrante: Cátia Ana B. Silva (UFG/ASPAS)
    Mediadora: Patrícia Figueiredo Aguiar (UEG)
    Dia e horário: 16/06/2023, às 16h
    Local: https://www.youtube.com/watch?v=beduPzCpZlI