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  • OS GRUPOS EXCLUSIVOS FEMININOS DE CULTURA POP NO FACEBOOK

    A pesquisadora Daniela dos Santos Domingues Marino participou do Seminário Internacional Fazendo Gênero 11, a 13ª edição Women’s Worlds Congress,  entre os dias 30 de julho e 04 de agosto, realizado na UFSC, em Florianópolis (SC). Ela apresentou o trabalho “Grupos secretos e eventos exclusivos no universo nerd: ações que promovem o fortalecimento e visibilidade das mulheres na cultura pop.” Leia a versão resumida, feita especialmente para o blog da ASPAS.

    Os grupos exclusivos femininos de cultura pop no Facebook

    Embora tenha tido acesso aos quadrinhos a vida toda como leitora, apenas em 2012 comecei a estudá-los academicamente. Foi também a partir de 2012 que comecei a frequentar eventos relacionados à cultura pop, fossem eles acadêmicos ou não. Apesar da participação constante em eventos, foi apenas em 2015 que eu comecei a ter a exata noção do que significava ser mulher em um dos meios mais misóginos que há: o meio dos quadrinhos, e, consequentemente, o universo nerd, que gira em torno do consumo de produtos relacionados a games e cultura pop.

    Em um encontro com a quadrinista feminina Trina Robbins, promovido pela Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS, tive a chance de ouvir os depoimentos de diversas quadrinistas brasileiras e percebi que seus relatos não eram diferentes do que Trina havia narrado sobre o machismo que ela enfrentou para publicar seus quadrinhos nos anos 70. Ou seja, pouca coisa havia mudado.

    Então, meu envolvimento com as artistas nacionais e minha frequência nos eventos exclusivos, promovidos por coletivos femininos, aumentaram a ponto de eu me interessar cada vez mais pelas ações desses grupos, tanto presencialmente como virtualmente.

    Hoje eu modero um grupo com cerca de 5000 mulheres ligado ao site Minas Nerds, do qual também faço parte. Além dele, participo de outras ações e grupos exclusivos que promovem encontros presenciais sempre que possível.

    Por meio dos depoimentos das artistas e das mulheres que frequentam estes espaços surgiu então o interesse de avaliar a importância e a necessidade dos grupos e ações exclusivas de cultura pop, uma vez que não só os relatos de assédio, violência, ameaças, serem frequentes, como eu mesma já fui vítima de vários tipos de violência apenas por expor minha opinião em grupos ou discussões mistas sobre cultura pop.

    Os exemplos dessa violência são inúmeros e vão desde xingamentos a exposição de montagens de fotos dessas mulheres, feitas por homens que não suportam ser contrariados ou ter que dividir o mesmo espaço conosco.

    A violência sofrida online também é vivenciada presencialmente, principalmente no que diz respeito às cosplayers, que ouvem todo tipo de impropérios e têm seus corpos tocados sem consentimento, além de serem expostas em fotos constrangedoras, como ocorreu em 2013, quando um desenhista fotografou a vagina de uma delas e postou no instagram do evento com a legenda “pata de camelo”.

    Embora muitos homens questionem a necessidade desses grupos e ações exclusivas, sob os argumentos mais esdrúxulos possíveis, que incluem menção a segregacionismo a citação de ativistas masculinos que nunca imaginaram um contexto digitalmente mediado, demonstrando completa ignorância sobre a falsa simetria que envolve as ações realizadas por atores que possuem diferentes papéis sociais, a verdade é que quem de fato pode saber se os grupos exclusivos produzem algum efeito significativo são as mulheres que fazem parte deles, afinal, são elas as atingidas pela violência, apagamento, exclusão promovida pelos homens nos grupos mistos.

    Sobre essa violência, autores como Pierre Bourdieu e Judith Butler alertam para o fato de que o discurso é uma das mais poderosas performances de poder e que é por meio dele que a violência atua de forma sistemática. De acordo com Butler[1], as palavras adquirem um peso de ofensa através das performances interativas de poder que, cumulativamente, as dispõem como veículos dessas ações. Palavras ofensivas possuem o poder de machucar precisamente porque têm uma história de violência por trás delas, tanto verbal quanto física. Na maior parte do tempo, a ofensa se dá na relação entre palavras, frases e figuras de linguagem que foram previamente usadas para abusar e subordinar e que já são partes estabelecidas de um discurso de poder.

    Então, o dano provocado pelo racismo está na constante disposição e aquisição de um discurso racista como um meio de se posicionar dentro de hierarquias estabelecidas de dominação de uma raça sobre outras, e no reforço dessas hierarquias em cada interação sucessiva. Por isso, um grupo dominante pode facilmente ignorar atitudes ofensivas contra si, uma vez que essas atitudes não perturbam a vantagem estrutural que gozam.

    Em inglês, que é uma língua dominante, termos raciais abusivos são facilmente lembrados e tantos outros são cunhados constantemente, de forma muito mais ofensiva, e muito mais abusivos pela mesma razão que se ocultam em histórias inteiras de subordinação. Gírias sexistas se referindo a mulheres ou homossexuais operam praticamente da mesma forma: puta, vadia, vaca, viado…. Tente imaginar equivalentes para se referir a homens heterossexuais e a pobreza de opções se torna aparente, assim como sua falta de ofensividade.

    Se somarmos tudo isso à conclusão de um estudo que sempre menciono, realizado pela Academia Nacional de Ciências dos EUA, que demonstrou que não só nosso feed de notícias do Facebook influencia nosso humor, como também nossas tomadas de atitudes e ao fato de que nosso contexto mundial é digitalmente mediado, podemos inferir que os efeitos da violência online são tão ou mais nocivos do que a violência praticada presencialmente.

    Afirmar que nosso contexto é mediado digitalmente e de forma onipresente significa que mesmo as pessoas que não estão conectadas são afetadas pela influência que os meios digitas exercem em nossas vidas. O alcance e as consequências de nossos discursos online não podem ser previstos em cálculos matemáticos, pois a velocidade com que as informações são compartilhadas é tamanha, que estamos aprendendo a lidar com elas na base da tentativa e erro.

    As implicações dessas mudanças constantes também estão sendo avaliadas[2] e sabemos que seu impacto pode ser sentido na forma como as relações têm se dado e até mesmo nos processos cognitivos envolvidos no hábito de estar constantemente conectado. Porém, no que tange aos grupos exclusivos, é possível ser tão otimista quanto Manuel Castells, em seu livro Redes de Indignação e Esperança, quando avaliou a importância das redes sociais em eventos como a Primavera Árabe.

    Além do fortalecimento das mulheres por meio da troca de experiências e da possibilidade de serem ouvidas e terem seus discursos legitimados pelas outras participantes, as oficinas, bate-papos e eventos reforçam a troca de experiências realizada virtualmente. Através dos textos publicados pelos sites e das discussões que seguem a sua publicação nos grupos, as mulheres têm acesso a informações que lhes dizem respeito, como assuntos ligados aos seus direitos, sexualidade, proteção, carreira, autoestima e todo tipo de assunto que não costuma ser tratado em espaços mistos e nem mesmo pelas publicações femininas mais tradicionais.

    No caso dos quadrinhos, várias mulheres relatam ter tido coragem de publicar os seus trabalhos depois de terem participado de discussões nos grupos ou nos eventos. Já em relação à cultura pop, no Minas Nerds tivemos mulheres lançando seus primeiros livros, organizando partidas de RPG, de games e fundando seus sites e grupos específicos para acolher mais mulheres que se sentem excluídas de grupos mistos.

    Elas sabem que poderão produzir seus trabalhos e terão retorno de quem se identifica com eles, em vez de simplesmente serem ignoradas por serem mulheres. Sabem que quem mestrar uma partida de RPG ou de game, não irá promover situações sexistas como estupros[3] e xingamentos.

    Se estruturalmente esses resultados não alteram o status quo, já que continuamos tendo os mesmos problemas nos eventos e espaços mistos, ao menos, têm possibilitado que mais mulheres se sintam confiantes para ocupar esses espaços e não se submeter a certos tipos de situação, pois sabem que não estão sozinhas. Na medida que mais mulheres ocuparem estes espaços, cada vez menos homens se sentirão à vontade de perpetuar alguns comportamentos. Ou seja, mudanças estruturais levam tempo, mas sem a ação dos grupos exclusivos, essas mulheres continuariam impossibilitadas de se expressar e de se realizarem em todo seu potencial.

    Quando homens argumentam contra a existência dos grupos exclusivos, alegando segregacionismo ou afirmando que somos incoerentes ao pregar maior inclusão das mulheres ao mesmo tempo que os excluímos de certos espaços, o que querem dizer é que não suportam a ideia de não fazerem parte de algo, não suportam a ideia de serem tratados, em algum nível, como estão acostumados a nos tratar, afinal, ignoram que a existência desses grupos só é possível porque antes, eles mesmos tornaram impossível nossa permanência em grupos mistos. Também ignoram, convenientemente, que o machismo é um sistema de opressão secular e que nossas atitudes não representam nenhum tipo de ameaça à hegemonia masculina uma vez que para isso teríamos que gozar dos mesmos privilégios e do status social que gozam para que pudéssemos impor algum tipo de opressão.

    Então, até que os espaços mistos de cultura pop sejam mais seguros para as mulheres e até que seus trabalhos tenham visibilidade suficiente para não depender das ações exclusivas, os grupos exclusivos continuarão sendo a opção viável para que mulheres não sejam mais silenciadas nos ambientes que tanto gostam participar.



    [1] MONDAL, Anshuman A. Islam and Controversy: The Politics of Free Speech after Rushdie. Londres: Palgrave Macmillan, 2014.
    [2]http://minasnerds.com.br/2017/05/02/fomo-internet-ansiedade-e-o-medo-de-nao-fazer-parte-de-algo/
    [3]http://minasnerds.com.br/2016/04/25/rpg-e-violencia-simbolica/
  • OS GRUPOS EXCLUSIVOS FEMININOS DE CULTURA POP NO FACEBOOK

    A pesquisadora Daniela
    dos Santos Domingues Marino
     
    participou do Seminário Internacional Fazendo Gênero 11, a 13ª edição Women’s Worlds Congress,  entre os dias 30 de julho e 04 de agosto, realizado na UFSC, em Florianópolis (SC). Ela apresentou o trabalho “Grupos secretos e eventos exclusivos no universo nerd: ações que promovem o fortalecimento e visibilidade das mulheres na cultura pop.” Leia a versão resumida, feita especialmente para o blog da ASPAS.

    Os grupos exclusivos femininos de cultura pop no Facebook

    Embora tenha
    tido acesso aos quadrinhos a vida toda como leitora, apenas em 2012 comecei a
    estudá-los academicamente. Foi também a partir de 2012 que comecei a frequentar
    eventos relacionados à cultura pop, fossem eles acadêmicos ou não. 
    Apesar da
    participação constante em eventos, foi apenas em 2015 que eu comecei a ter a
    exata noção do que significava ser mulher em um dos meios mais misóginos que
    há: o meio dos quadrinhos, e, consequentemente, o universo nerd, que gira em
    torno do consumo de produtos relacionados a games e cultura pop.

    Em um encontro
    com a quadrinista feminina Trina Robbins, promovido pela Associação de
    Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS, tive a chance de ouvir os depoimentos
    de diversas quadrinistas brasileiras e percebi que seus relatos não eram
    diferentes do que Trina havia narrado sobre o machismo que ela enfrentou para
    publicar seus quadrinhos nos anos 70. Ou seja, pouca coisa havia mudado.

    Então, meu
    envolvimento com as artistas nacionais e minha frequência nos eventos
    exclusivos, promovidos por coletivos femininos, aumentaram a ponto de eu me
    interessar cada vez mais pelas ações desses grupos, tanto presencialmente como
    virtualmente.

    Hoje eu modero
    um grupo com cerca de 5000 mulheres ligado ao site Minas Nerds, do qual também
    faço parte. Além dele, participo de outras ações e grupos exclusivos que
    promovem encontros presenciais sempre que possível.

    Por meio dos
    depoimentos das artistas e das mulheres que frequentam estes espaços surgiu
    então o interesse de avaliar a importância e a necessidade dos grupos e ações
    exclusivas de cultura pop, uma vez que não só os relatos de assédio, violência,
    ameaças, serem frequentes, como eu mesma já fui vítima de vários tipos de violência
    apenas por expor minha opinião em grupos ou discussões mistas sobre cultura
    pop.

    Os exemplos
    dessa violência são inúmeros e vão desde xingamentos a exposição de montagens
    de fotos dessas mulheres, feitas por homens que não suportam ser contrariados
    ou ter que dividir o mesmo espaço conosco.

    A violência
    sofrida online também é vivenciada presencialmente, principalmente no que diz
    respeito às cosplayers, que ouvem todo tipo de impropérios e têm seus corpos
    tocados sem consentimento, além de serem expostas em fotos constrangedoras,
    como ocorreu em 2013, quando um desenhista fotografou a vagina de uma delas e
    postou no instagram do evento com a legenda “pata de camelo”.

    Embora muitos
    homens questionem a necessidade desses grupos e ações exclusivas, sob os argumentos
    mais esdrúxulos possíveis, que incluem menção a segregacionismo a citação de
    ativistas masculinos que nunca imaginaram um contexto digitalmente mediado,
    demonstrando completa ignorância sobre a falsa simetria que envolve as ações
    realizadas por atores que possuem diferentes papéis sociais, a verdade é que
    quem de fato pode saber se os grupos exclusivos produzem algum efeito
    significativo são as mulheres que fazem parte deles, afinal, são elas as
    atingidas pela violência, apagamento, exclusão promovida pelos homens nos
    grupos mistos.

    Sobre essa
    violência, autores como Pierre Bourdieu e Judith Butler alertam para o fato de
    que o discurso é uma das mais poderosas performances de poder e que é por meio
    dele que a violência atua de forma sistemática. De acordo com Butler
    [1],
    a
    s palavras adquirem um peso de ofensa através
    das performances interativas de poder que, cumulativamente, as dispõem como
    veículos dessas ações. Palavras ofensivas possuem o poder de machucar
    precisamente porque têm uma história de violência por trás delas, tanto verbal
    quanto física. Na maior parte do tempo, a ofensa se dá na relação entre
    palavras, frases e figuras de linguagem que foram previamente usadas para
    abusar e subordinar e que já são partes estabelecidas de um discurso de poder.

    Então, o dano provocado pelo racismo está na constante
    disposição e aquisição de um discurso racista como um meio de se posicionar
    dentro de hierarquias estabelecidas de dominação de uma raça sobre outras, e no
    reforço dessas hierarquias em cada interação sucessiva. Por isso, um grupo
    dominante pode facilmente ignorar atitudes ofensivas contra si, uma vez que
    essas atitudes não perturbam a vantagem estrutural que gozam.

    Em inglês, que é uma língua dominante, termos raciais
    abusivos são facilmente lembrados e tantos outros são cunhados constantemente,
    de forma muito mais ofensiva, e muito mais abusivos pela mesma razão que se
    ocultam em histórias inteiras de subordinação. Gírias sexistas se referindo a
    mulheres ou homossexuais operam praticamente da mesma forma: puta, vadia, vaca,
    viado…. Tente imaginar equivalentes para se referir a homens heterossexuais e a
    pobreza de opções se torna aparente, assim como sua falta de ofensividade.

    Se somarmos tudo isso à conclusão de um estudo que sempre
    menciono, realizado pela Academia Nacional de Ciências dos EUA, que demonstrou
    que não só nosso feed de notícias do Facebook influencia nosso humor, como
    também nossas tomadas de atitudes e ao fato de que nosso contexto mundial é
    digitalmente mediado, podemos inferir que os efeitos da violência online são
    tão ou mais nocivos do que a violência praticada presencialmente.

    Afirmar que nosso contexto é mediado digitalmente e de forma onipresente significa que mesmo as pessoas que não
    estão conectadas são afetadas pela influência que os meios digitas exercem em
    nossas vidas. O alcance e as consequências de nossos discursos online não podem
    ser previstos em cálculos matemáticos, pois a velocidade com que as informações
    são compartilhadas é tamanha, que estamos aprendendo a lidar com elas na base
    da tentativa e erro.

    As implicações dessas mudanças constantes também estão
    sendo avaliadas
    [2] e sabemos que seu impacto pode ser sentido na forma como
    as relações têm se dado e até mesmo nos processos cognitivos envolvidos no
    hábito de estar constantemente conectado. Porém, no que tange aos grupos
    exclusivos, é possível ser tão otimista quanto Manuel Castells, em seu livro Redes
    de Indignação e Esperança, quando avaliou a importância das redes sociais em
    eventos como a Primavera Árabe.

    Além do fortalecimento das mulheres por meio da troca de
    experiências e da possibilidade de serem ouvidas e terem seus discursos
    legitimados pelas outras participantes, as oficinas, bate-papos e eventos
    reforçam a troca de experiências realizada virtualmente. Através dos textos
    publicados pelos sites e das discussões que seguem a sua publicação nos grupos,
    as mulheres têm acesso a informações que lhes dizem respeito, como assuntos
    ligados aos seus direitos, sexualidade, proteção, carreira, autoestima e todo
    tipo de assunto que não costuma ser tratado em espaços mistos e nem mesmo pelas
    publicações femininas mais tradicionais.

    No caso dos quadrinhos, várias mulheres relatam ter tido
    coragem de publicar os seus trabalhos depois de terem participado de discussões
    nos grupos ou nos eventos. Já em relação à cultura pop, no Minas Nerds tivemos
    mulheres lançando seus primeiros livros, organizando partidas de RPG, de games
    e fundando seus sites e grupos específicos para acolher mais mulheres que se
    sentem excluídas de grupos mistos.

    Elas sabem que poderão produzir seus trabalhos e terão
    retorno de quem se identifica com eles, em vez de simplesmente serem ignoradas
    por serem mulheres. Sabem que quem mestrar uma partida de RPG ou de game, não
    irá promover situações sexistas como estupros
    [3] e xingamentos.

    Se estruturalmente esses resultados não alteram o status
    quo, já que continuamos tendo os mesmos problemas nos eventos e espaços mistos,
    ao menos, têm possibilitado que mais mulheres se sintam confiantes para ocupar
    esses espaços e não se submeter a certos tipos de situação, pois sabem que não
    estão sozinhas. Na medida que mais mulheres ocuparem estes espaços, cada vez
    menos homens se sentirão à vontade de perpetuar alguns comportamentos. Ou seja,
    mudanças estruturais levam tempo, mas sem a ação dos grupos exclusivos, essas
    mulheres continuariam impossibilitadas de se expressar e de se realizarem em
    todo seu potencial.

    Quando homens argumentam contra a existência dos grupos
    exclusivos, alegando segregacionismo ou afirmando que somos incoerentes ao
    pregar maior inclusão das mulheres ao mesmo tempo que os excluímos de certos
    espaços, o que querem dizer é que não suportam a ideia de não fazerem parte de
    algo, não suportam a ideia de serem tratados, em algum nível, como estão
    acostumados a nos tratar, afinal, ignoram que a existência desses grupos só é
    possível porque antes, eles mesmos tornaram impossível nossa permanência em
    grupos mistos. Também ignoram, convenientemente, que o machismo é um sistema de
    opressão secular e que nossas atitudes não representam nenhum tipo de ameaça à
    hegemonia masculina uma vez que para isso teríamos que gozar dos mesmos
    privilégios e do status social que gozam para que pudéssemos impor algum tipo
    de opressão.

    Então, até que os espaços mistos de cultura pop sejam mais seguros
    para as mulheres e até que seus trabalhos tenham visibilidade suficiente para
    não depender das ações exclusivas, os grupos exclusivos continuarão sendo a
    opção viável para que mulheres não sejam mais silenciadas nos ambientes que
    tanto gostam participar.



    [1] MONDAL, Anshuman A. Islam and Controversy: The Politics of Free Speech after Rushdie.
    Londres: Palgrave Macmillan, 2014.
    [2]
    http://minasnerds.com.br/2017/05/02/fomo-internet-ansiedade-e-o-medo-de-nao-fazer-parte-de-algo/
    [3]
    http://minasnerds.com.br/2016/04/25/rpg-e-violencia-simbolica/
  • MACHADO DE ASSIS EM MANGÁ

    A pesquisadora Dr. Valéria Fernandes da Silva apresentou uma análise da adaptação para quadrinhos do Romance de Machado de Assis “Helena”, durante o XXIX Simpósio Nacional de História da ANPUH, realizado entre os dias 24 e 28 de julho de 2017, na UnB, Brasília. Leia o resumo.


    E Machado de Assis virou Mangá: Reflexões sobre a releitura em quadrinhos do romance Helena

    No ano de 2014, o Studio Seasons – um grupo formado por mulheres que roteirizam e desenham suas próprias obras – publicou pela editora NewPop uma adaptação ao estilo mangá, isto é, seguindo os moldes dos quadrinhos japoneses, do livro Helena, de Machado de Assis. A adaptação de clássicos da literatura para os quadrinhos em nosso país não é uma novidade, mas uma prática comum desde meados do século XX.

    Com caráter francamente didático, ou paradidático, a adaptação da literatura para quadrinhos nunca foi uma unanimidade. Vista como uma forma de apresentar a literatura para os jovens, era por vezes, também, encarada como uma espécie de engodo, retardando a introdução dos clássicos aos novos leitores. Como toda adaptação é em si mesma uma nova obra, ela tem o sabor de sua própria época e pode ser atravessada por questões e ansiedades estranhos ao original.

    Nos últimos anos, os clássicos em quadrinhos estão se tornando cada vez mais comuns nas livrarias e listas escolares. As razões para a produção de tais adaptações são variados e vão desde o desejo de tornar a literatura mais acessível à juventude até o mero interesse mercadológico. Seu sucesso certamente se assenta na capacidade de dialogar com os leitores, um público consumidor que pode, ou não, ser o mesmo público do clássico original. Ancorada nessa possibilidade, discutiremos em nosso trabalho como se deu a apropriação e releitura do romance Helena pelo Studio Seasons.

    Como se deu a transição do romance para uma mídia popular de entretenimento e qual o impacto da autoria feminina na releitura da obra de Machado de Assis. Analisaremos se é possível perceber tensões de gênero no material quadrinizado e como as autoras dialogam tanto com a obra machadiana, quanto com o tipo de quadrinhos produzido no Japão. No caso de Helena, este é talvez o mais importante romance da fase romântica de Machado de Assis e foi publicado em 1876. Vários anos antes da Abolição e da República, a obra marcadamente urbana retratava uma sociedade patriarcal de rígidas hierarquias e extremas desigualdades de classe, raça e gênero.

    Mesmo que alguns considerem Helena uma obra convencional, marcada por um sentimentalismo que depois seria abandonado por Machado de Assis e um trabalho muito aquém do que o autor ofereceria em suas obras realistas, é possível ver a obra de outra forma, como espaço de representação e subversão dos papéis de gênero vigentes na época de sua publicação.

    O texto completo ficará disponível nos anais do simpósio.

  • MACHADO DE ASSIS EM MANGÁ

    A pesquisadora Dr. Valéria Fernandes da
    Silva apresentou uma análise da adaptação para quadrinhos do Romance de Machado
    de Assis “Helena”, durante o XXIX Simpósio Nacional de História da
    ANPUH, realizado entre os dias 24 e 28 de julho de 2017, na UnB, Brasília. Leia
    o resumo.



    E Machado de Assis virou Mangá: Reflexões sobre a releitura em quadrinhos do romance Helena

    No ano de 2014, o Studio Seasons – um grupo formado por mulheres que roteirizam e desenham suas próprias obras – publicou pela editora NewPop uma adaptação ao estilo mangá, isto é, seguindo os moldes dos quadrinhos japoneses, do livro Helena, de Machado de Assis. A adaptação de clássicos da literatura para os quadrinhos em nosso país não é uma novidade, mas uma prática comum desde meados do século XX.


    Com caráter francamente didático, ou paradidático, a adaptação da literatura para quadrinhos nunca foi uma unanimidade. Vista como uma forma de apresentar a literatura para os jovens, era por vezes, também, encarada como uma espécie de engodo, retardando a introdução dos clássicos aos novos leitores. Como toda adaptação é em si mesma uma nova obra, ela tem o sabor de sua própria época e pode ser atravessada por questões e ansiedades estranhos ao original.


    Nos últimos anos, os clássicos em quadrinhos estão se tornando cada vez mais comuns nas livrarias e listas escolares. As razões para a produção de tais adaptações são variados e vão desde o desejo de tornar a literatura mais acessível à juventude até o mero interesse mercadológico. Seu sucesso certamente se assenta na capacidade de dialogar com os leitores, um público consumidor que pode, ou não, ser o mesmo público do clássico original. Ancorada nessa possibilidade, discutiremos em nosso trabalho como se deu a apropriação e releitura do romance Helena pelo Studio Seasons.


    Como se deu a transição do romance para uma mídia popular de entretenimento e qual o impacto da autoria feminina na releitura da obra de Machado de Assis. Analisaremos se é possível perceber tensões de gênero no material quadrinizado e como as autoras dialogam tanto com a obra machadiana, quanto com o tipo de quadrinhos produzido no Japão. No caso de Helena, este é talvez o mais importante romance da fase romântica de Machado de Assis e foi publicado em 1876. Vários anos antes da Abolição e da República, a obra marcadamente urbana retratava uma sociedade patriarcal de rígidas hierarquias e extremas desigualdades de classe, raça e gênero.


    Mesmo que alguns considerem Helena uma obra convencional, marcada por um sentimentalismo que depois seria abandonado por Machado de Assis e um trabalho muito aquém do que o autor ofereceria em suas obras realistas, é possível ver a obra de outra forma, como espaço de representação e subversão dos papéis de gênero vigentes na época de sua publicação.


    O texto completo ficará disponível nos anais do simpósio.


  • FANZINOTECA IFF MACAÉ


    A FANZINOTECA IFF MACAÉ é um projeto pelo qual estamos trabalhando para concretizá-lo no Instituto Federal Fluminense Campus Macaé e prevemos que em outubro já possamos inaugurá-la no espaço físico destinado para ela! 

    Enquanto isso, temos a ideia de criar uma fanzinoteca digital, para disponibilizar e-zines e versões para leitura online e/ou download dos zines do nosso acervo ou não, com a devida autorização do(a)s seus autore(a)s, incluindo as versões online dos zines do nosso projeto, como o PEIBÊ, Traços de Memória, Café Filosófico e Afroindi. 

    Estamos recebendo doações de fanzines antigos ou novos para montagem do acervo da fanzinoteca e que podem ser também trocados por fanzines editados pelo projeto.

    Endereços para correspondência:
    Instituto Federal Fluminense campus Macaé A/C Alberto Carlos P. Souza Rodovia Amaral Peixoto, km 164, Imboassica, Macaé-RJ. CEP 27932-050


    Alberto de Souza – Beralto

  • FANZINOTECA IFF MACAÉ


    A FANZINOTECA IFF MACAÉ é um projeto pelo qual estamos trabalhando para concretizá-lo no Instituto Federal Fluminense Campus Macaé e prevemos que em outubro já possamos inaugurá-la no espaço físico destinado para ela! 

    Enquanto isso, temos a ideia de criar uma fanzinoteca digital, para disponibilizar e-zines e versões para leitura online e/ou download dos zines do nosso acervo ou não, com a devida autorização do(a)s seus autore(a)s, incluindo as versões online dos zines do nosso projeto, como o PEIBÊ, Traços de Memória, Café Filosófico e Afroindi. 


    Estamos recebendo doações de fanzines antigos ou novos para montagem do
    acervo da fanzinoteca e que podem ser também trocados por fanzines editados
    pelo projeto.

    Endereços para correspondência:
    Instituto Federal Fluminense campus Macaé A/C Alberto Carlos P. Souza
    Rodovia Amaral Peixoto, km 164, Imboassica, Macaé-RJ. CEP 27932-050


    Alberto de Souza – Beralto

  • Participação dos Pesquisadores e Pesquisadoras da ASPAS nas 4as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos

    Em agosto acontece as 4as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, congresso que reúne muitos pesquisadores, estrangeiros e nacionais, entre 22 e 25 de agosto na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.


    Muitos dos associados e associadas da ASPAS estarão presentes.
    Confiram os trabalhos e sessões. 


    HQ E HUMOR: UMA PROPOSTA INTERCULTURAL PARA O ENSINO DE ITALIANO LE 
    MARIA EUGENIA SAVIETTO 
    DENISE MARIA MARGONARI 
    JANAINA TUNUSSI DE OLIVEIRA 
    CONSTRUINDO A VERDADEIRA MULHER: QUANDO A CULTURA DO ESTUPRO SE TRAVESTE DE ROMANCE NOS SHOUJO MANGÁ 
    VALÉRIA FERNANDES DA SILVA 

    RELIGIÃO NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS 
    IURI ANDRÉAS REBLIN 
    JUIZ, JÚRI E EXECUTOR: MITO E RITO COMO ELEMENTOS RELIGIOSOS DE COMUNICAÇÃO DE VALORES NA REFORMULAÇÃO DO SUPER-HOMEM ELABORADA POR JOHN BYRNE 
    RUBEN MARCELINO BENTO DA SILVA 
    HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA ESCOLA: UMA EXPERIÊNCIA COM A PRODUÇÃO DE QUADRINHOS NO ENSINO MÉDIO 
    FÁBIO TAVARES DA SILVA 
    ROGERIO JUNIOR CORREIA TAVARES 
    A REPRESENTAÇÃO FEMININA NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS DO BRASIL E DA AMÉRICA LATINA 
    ROSA ALICIA NONONE CASELLA
    DA SUBVERSÃO AO ABANDONO DA LINGUAGEM EM TIRAS CONTEMPORÂNEAS 
    HENRIQUE MAGALHÃES 
    LIQUIDEZ NOS HERÓIS MARVEL: DA INDÚSTRIA CULTURAL A CULTURA DE MASSAS 
    THIAGO VASCONCELLOS MODENESI 
    O MERCADO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NO BRASIL E OS SUPORTES PARA PUBLICAÇÃO DIGITAL 
    DANIELA DOS SANTOS DOMINGUES MARINO
    FIGURAÇÕES DA AMAZÔNIA NA OBRA DE FLAVIO COLIN 
    MÁRCIO DOS SANTOS RODRIGUES 
    DESENVOLVIMENTO DE OFICINAS DE CRIAÇÃO DE QUADRINHOS E FANZINES NA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA: EXPERIÊNCIAS NO ENSINO TÉCNICO, SUPERIOR E NA PÓSGRADUAÇÃO 
     DANIELLE BARROS SILVA FORTUNA 
    AS REPRESENTAÇÕES DO CRISTIANISMO NOS QUADRINHOS BRASILEIROS 
    AMARO XAVIER BRAGA JR  
    O CAPITÂO AMÉRICA: UNIVERSO FICCIONAL E CAPITALISMO NORTE-AMERICANO 
    NILDO VIANA
    DESVENDANDO O FÃ DE PERSONAGENS DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: UMA REFLEXÂO SOBRE CULTURA DE FÃ, PRÁTICAS DE CONSUMO E PERFORMANCE 
    LARISSA TAMBORINDENGUY BECKO
    QUADRINHOS EXPANDIDOS: PROCESSOS CRIATIVOS DE HQS POÉTICO-FILOSÓFICAS UTILIZANDO ENOC – ESTADOS NÃO ORDINÁRIOS DE CONSCIÊNCIA 
    EDGAR FRANCO 
    QUADRINHOS ONÍRICOS: PROCESSO CRIATIVO A PARTIR DE ENOC 
    MATHEUS MOURA SILVA 
    UMA ANTOLOGIA IMAGÉTICO-AUTORAL EM PROGRESSÃO DE DESENHOS NAS HQS DE TEMÁTICA SUPER-HEROICA E SUA ESTÉTICA DE ESTILOS VARIADOS 
    GAZY ANDRAUS

  • Participação dos Pesquisadores e Pesquisadoras da ASPAS nas 4as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos

    Em agosto acontece as 4as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, congresso que reúne muitos pesquisadores, estrangeiros e nacionais, entre 22 e 25 de agosto na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.


    Muitos dos associados e associadas da ASPAS estarão presentes.
    Confiram os trabalhos e sessões. 


    HQ E HUMOR: UMA PROPOSTA INTERCULTURAL PARA O ENSINO DE ITALIANO LE 
    MARIA EUGENIA SAVIETTO 
    DENISE MARIA MARGONARI 
    JANAINA TUNUSSI DE OLIVEIRA 
    CONSTRUINDO A VERDADEIRA MULHER: QUANDO A CULTURA DO ESTUPRO SE TRAVESTE DE ROMANCE NOS SHOUJO MANGÁ 
    VALÉRIA FERNANDES DA SILVA 

    RELIGIÃO NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS 
    IURI ANDRÉAS REBLIN 
    JUIZ, JÚRI E EXECUTOR: MITO E RITO COMO ELEMENTOS RELIGIOSOS DE COMUNICAÇÃO DE VALORES NA REFORMULAÇÃO DO SUPER-HOMEM ELABORADA POR JOHN BYRNE 
    RUBEN MARCELINO BENTO DA SILVA 
    HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA ESCOLA: UMA EXPERIÊNCIA COM A PRODUÇÃO DE QUADRINHOS NO ENSINO MÉDIO 
    FÁBIO TAVARES DA SILVA 
    ROGERIO JUNIOR CORREIA TAVARES 
    A REPRESENTAÇÃO FEMININA NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS DO BRASIL E DA AMÉRICA LATINA 
    ROSA ALICIA NONONE CASELLA
    DA SUBVERSÃO AO ABANDONO DA LINGUAGEM EM TIRAS CONTEMPORÂNEAS 
    HENRIQUE MAGALHÃES 
    LIQUIDEZ NOS HERÓIS MARVEL: DA INDÚSTRIA CULTURAL A CULTURA DE MASSAS 
    THIAGO VASCONCELLOS MODENESI 
    O MERCADO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NO BRASIL E OS SUPORTES PARA PUBLICAÇÃO DIGITAL 
    DANIELA DOS SANTOS DOMINGUES MARINO
    FIGURAÇÕES DA AMAZÔNIA NA OBRA DE FLAVIO COLIN 
    MÁRCIO DOS SANTOS RODRIGUES 
    DESENVOLVIMENTO DE OFICINAS DE CRIAÇÃO DE QUADRINHOS E FANZINES NA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA: EXPERIÊNCIAS NO ENSINO TÉCNICO, SUPERIOR E NA PÓSGRADUAÇÃO 
     DANIELLE BARROS SILVA FORTUNA 
    AS REPRESENTAÇÕES DO CRISTIANISMO NOS QUADRINHOS BRASILEIROS 
    AMARO XAVIER BRAGA JR  
    O CAPITÂO AMÉRICA: UNIVERSO FICCIONAL E CAPITALISMO NORTE-AMERICANO 
    NILDO VIANA
    DESVENDANDO O FÃ DE PERSONAGENS DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: UMA REFLEXÂO SOBRE CULTURA DE FÃ, PRÁTICAS DE CONSUMO E PERFORMANCE 
    LARISSA TAMBORINDENGUY BECKO
    QUADRINHOS EXPANDIDOS: PROCESSOS CRIATIVOS DE HQS POÉTICO-FILOSÓFICAS UTILIZANDO ENOC – ESTADOS NÃO ORDINÁRIOS DE CONSCIÊNCIA 
    EDGAR FRANCO 
    QUADRINHOS ONÍRICOS: PROCESSO CRIATIVO A PARTIR DE ENOC 
    MATHEUS MOURA SILVA 
    UMA ANTOLOGIA IMAGÉTICO-AUTORAL EM PROGRESSÃO DE DESENHOS NAS HQS DE TEMÁTICA SUPER-HEROICA E SUA ESTÉTICA DE ESTILOS VARIADOS 
    GAZY ANDRAUS

  • LANÇAMENTO DE LIVROS DURANTE O III ENTRE ASPAS

    Durante o III Entre ASPAS ocorreu o lançamento de livros e fanzines de associados, na noite do dia 26 de maio de 2017. Confira as fotos!